Revista BRAVO! | Junho/2009
Por Gabriela Mellão (Teatro)
|
| |
![]() |
LIZ
De Reinaldo Montero. Direção de Rodolfo García Vázquez. Com Cléo de Paris (foto), entre outros.De Reinaldo Montero. Direção de Rodolfo García Vázquez. Com Cléo de Paris (foto), entre outros. O espetáculo: Retrata um acontecimento político do reino de Elizabeth 1ª, no século 16, no qual dois autores ingleses, Walter Raleigh e Christopher Marlowe, fundam o grupo Escola da Noite para questionar o poder. Por que ir: Premiado em Cuba em 2008, o espetáculo — que celebra os 20 anos da Cia. Os Satyros, uma das mais importantes do país — faz uma crítica sobre o poder. Preste atenção: Em como Vázquez se serve de estéticas inventivas para refletir sobre questões sociais atuais. Nesta peça, o painel histórico caótico é desenhado por meio de uma linguagem farsesca. Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, Centro, São Paulo, tel. 0++/11/3258-345). Quando: 6a e sáb., às 21h. De R$ 5 a R$ 20. Veja também: Justine. Adaptação e direção de Rodolfo García Vázquez para a obra homônima de Marquês de Sade. Com Cia. Os Satyros. A peça que encerra a trilogia libertina do grupo também é concebida com intensa criatividade. No Espaço dos Satyros Dois, (tel. 0++/11/3258-345). |
![]() |
VESTIDO DE NOIVA De Nelson Rodrigues. Direção de Gabriel Villela. Com Leandra Leal, Marcello Anthony (foto), Vera Zimmermann, Mila Moreira, entre outros. O espetáculo: Desenrola-se a partir do atropelamento de Alaíde, moça rica carioca, por meio da intersecção de três planos: memória, alucinação e realidade. Enquanto ela é operada, a trama acontece, envolvendo um crime. Por que ir: Grande clássico do maior dramaturgo brasileiro, a peça é considerada o marco inicial do teatro moderno do país por investigar aspectos psicológicos do homem e ser concebida em três planos. Preste atenção: Em como o diretor não demarca arquitetonicamente os três planos criados pelo dramaturgo. E busca enfatizar passagens dramáticas por meio de música e dança, presentes em todo o espetáculo. Onde: Teatro Vivo (av. Chucri Zaidan, 860, Morumbi, São Paulo, tel. 0++/11/7420-1520). Quando: De 5a a sáb., às 21h30, e dom., às 19h. Até 5/7. De R$ 35 a R$ 70. Veja também: As Noivas de Nelson. De Nelson Rodrigues. Direção de Marco Antônio Braz. Com Cia. Paulista de Artes. Baseada em contos de A Vida como Ela É, a peça retrata com humor o patético do ser humano. No Centro Cultural Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (tel. 0++/21/2543-5411). |
![]() |
MUSIC HALL De Jean-Luc Lagarce. Direção de Luiz Päetow. Com Gabriela Flores e Sílvio Restiffe (foto), entre outros. O espetáculo: Ancorada em um banquinho e em recordações, uma artista de music-hall, o chamado teatro de variedades, repassa a vida que levou, refletindo sobre como se apresentou a um público cada vez mais grosseiro e desinteressado. Por que ir: Para ver um texto inédito de Lagarce, um dos dramaturgos mais encenados no mundo. Nesse texto, ele questiona o fazer teatral. Preste atenção: Em como o diretor amplia a universalidade do texto e sua possibilidade de identificação com o espectador. Na montagem, seis atores vivem a protagonista, evitando a definição de um único personagem. Onde: Teatro Imprensa — Sala Vitrine (rua Jaceguai, 400, São Paulo, tel. 0++/11/3241-4203). Quando: Sáb., às 21h, e dom., às 19h30. De 13/6 a 30/8. Até 15/7, o ingresso é uma lata de leite em pó. Depois, R$ 10. Veja também: De Vita Sua. De Marilia Toledo. Direção de Kleber Montanheiro. Com Cia. da Revista. Baseada na obra Um Monge no Divã, do psicanalista David Levisky, a peça faz uma reflexão sobre a adolescência na Idade Média. No Miniteatro, em São Paulo (tel. 0++/11/2865-5955). |
![]() |
SESSENTA MINUTOS PARA O FIM Texto e direção de Cesar Ribeiro. Com Ulisses Sakurai, Paulo Campos (foto) e Priscilla Maia. Realização Grupo Garagem 21. O espetáculo: Dois atores são condenados por um coelho a fazer uma apresentação teatral para um público que nunca aparece. O mais velho parece deter o poder, mas depende do companheiro inexperiente para situar-se no mundo. Por que ir: Inspirada sobretudo em Esperando Godot e Fim de Partida, de Samuel Beckett, a peça retrata o absurdo da existência humana com originalidade, por meio de uma trama em que não há vencedores. Preste atenção: Como em Beckett, a linguagem da peça é esvaziada. O velho ator dá as cartas, mas está diante da morte e do esquecimento, representados pelo público inexistente, recebendo informações deturpadas. Onde: Espaço dos Satyros Dois (praça Roosevelt, 134, Centro, São Paulo, tel. 0++/11/3258-6345). Quando: Sáb. e dom., às 18h30. Até 28/6. R$ 20. Veja também: Desfigura. De Pierre Charras. Adaptação e direção de Regina Miranda. Com Edi Botelho. A peça também joga luz sobre a existência ao reunir impressões sobre a vida e obra de Francis Bacon. No Espaço Parlapatões, em São Paulo (tel. 0++/11/3258-4449). |
![]() |
ANATOMIA FROZEN De Bryony Lavery. Direção de Marcio Aurelio. Com Joca Andreazza e Paulo Marcello (foto). Realização Cia. Razões Inversas. O espetáculo: Retrata 25 anos da vida de um pedófilo, da mãe de uma de suas vítimas e de uma psiquiatra que trabalha em uma tese sobre assassinatos em série, a partir do desaparecimento da garotinha Rhona. Por que ir: O texto, que estreou no Royal National Theatre em 2002, chega ao Brasil com os atores e o diretor de Agreste, uma das peças mais importantes dos últimos anos. Preste atenção: O diretor redimensiona a poética do texto, evita o melodrama e dá prosseguimento a um modelo de encenação em que os atores se alternam em todos os papéis. Onde: Teatro Imprensa — Sala Vitrine (rua Jaceguai, 400, Bela Vista, São Paulo, tel. 0++/11/3241-4203). Quando: 5a e 6a, às 21h. De 11/6 a 28/8. Até 3/7, o ingresso é uma lata de leite em pó. Depois, R$ 10. Veja também: Gloriosa. De Peter Quilter. Direção geral de Charles Möeller. Com Marília Pêra e outros. Trata-se de uma comédia musical também inspirada em fatos reais; no caso, a vida da soprano Florence Jenkins. No Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo (tel. 0++/11/3083-4475). |
![]() |
SOBRE TOMATES, TAMANCOS E TESOURAS Roteiro e dramaturgia de Andréa Macera (foto), que atua, e de Rhena de Faria, que dirige. Realização Barracão Teatro. O espetáculo: Retrata um crime que envolve o uso de tomates, uma tesoura, um tamanco e a apresentação de uma artista de cabaré. Por meio de flashbacks, o espectador conhece uma realidade deturpada dos fatos. Por que ir: O solo é criado por artistas de dois importantes núcleos de pesquisa da arte clownesca. Preste atenção: Em como no espetáculo, inspirado em clichês de filmes noir, a plateia é obrigada a tirar as próprias conclusões sobre o que de fato aconteceu. Onde: Centro Cultural Sesi Vila Leopoldina (rua Carlos Weber, 835, Vila Leopoldina, São Paulo, tel. 0++/11/3834-5523). Quando: 5a, às 20h; 6a, às 15h e 20h; sáb., às 20h; e dom., às 18h. De 5/6 a 26/7. Grátis. Veja também: The Cachorro Manco Show. De Fábio Mendes. Direção de Moacir Chaves. Com Leandro Daniel Colombo. A peça, na qual o protagonista interpreta um cão que vaga pelas ruas, também é um monólogo cômico. No Sesc Avenida Paulista, em São Paulo (tel. 0++/11/3179-700). |
![]() |
TURISMO INFINITO De António M. Feijó, baseado em textos de Fernando Pessoa e em cartas de Ofélia Queirós. Direção de Ricardo Pais. Com Teatro Nacional São João. Com Pedro Almendra (foto). O espetáculo: Retrata Fernando Pessoa segundo suas poesias e cartas escritas a Ofélia Queirós, grande amor do poeta. Por que ir: Considerado o melhor de Portugal em 2007, o espetáculo é de uma companhia cujo trabalho transformou o teatro português. Preste atenção: Em como a peça parte da fragmentação do protagonista em seus vários heterônimos — como o guarda-livros Bernardo Soares — para construir (ainda que ficcionalmente) sua totalidade. Onde: Sesc Pinheiros (rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo, tel. 0++/11/3095-9400). Quando: 5ª a sáb., às 21h, e dom., às 18h. De 19/6 a 28/6. De R$ 5 a R$ 20. Veja também: O Fingidor. Texto e direção de Samir Yazbek. Com Hélio Cícero, Eduardo Semerijan e outros. Obra — que comemora uma década de sucesso — também leva ao palco a vida do poeta Fernando Pessoa. No Teatro Tuca, em São Paulo (tel. 0++/11/3670-8455). |
![]() |
FESTIVAL DE CENAS CURTAS DO GALPÃO CINE HORTO Curadoria de Chico Pelúcio, Leonardo Lessa, Paulo André, Anderson Aníbal e Fernando Mencarelli. O espetáculo: O festival apresenta 16 cenas de 15 minutos de duração. Da mostra, são escolhidas pelo público as quatro melhores, que, juntamente com uma selecionada pela curadoria, cumprem curta temporada no Galpão Cine Horto. Por que ir: Para ver pequenas montagens variadas e de qualidade. O festival promove a formação de novos grupos, como o Espanca!, o Luna Lunera e a Cia. Clara, criados no projeto. Preste atenção: Na cena Para Aqueles que Lavaram as Mãos (na foto, Paulo Azevedo), de Renato Rebouças, que trata da busca da identidade e reúne integrantes de três importantes grupos: Grupo XIX de Teatro, Espanca! e Luna Lunera. Onde: Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613, Horto, Belo Horizonte, tel. 0++/31/3481-5580). Quando: De 18/6 a 21/6. Mais informações no site http://www.galpaocinehorto.com.br. Veja também: Primeiras Rosas. Dramaturgia de Beto Andretta. Direção de Alexandre Fávero, entre outros. Com a Cia. Pia Fraus. Inspirado em contos de Guimarães Rosa, o espetáculo se destaca nas cenas de impacto visual. No Teatro Sesi Paulista, em São Paulo (tel. 0++/11/3146-7405). |