Revista BRAVO! | Janeiro/2009
Por Gabriela Mellão (Teatro)
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INVENTÁRIO: AQUILO QUE SERIA ESQUECIDO SE A GENTE NÃO CONTASSE
Direção de Andrea Jabor e Beatriz Sayad. Com César Tavares, Dani Barros (foto), entre outros. O espetáculo: Transpõe para o palco a experiência dos palhaços dos Doutores da Alegria nos hospitais. Reúne depoimentos e quadros de humor usados com os pacientes, além de narrações de histórias que eles viveram nas enfermarias. Por que ir: O espetáculo é resultado de uma pesquisa sobre a capacidade do palhaço contemporâneo de transformar a realidade. Depoimentos comoventes e bem-humorados retratam as experiências dos artistas. Preste atenção: Em como há uma dramaturgia preconcebida, que amarra as histórias em cena, ao contrário do que costuma acontecer no trabalho do grupo em hospitais, baseado em improviso. Onde: Sesc Avenida Paulista (av. Paulista, 119, Paraíso, São Paulo, SP, tel. 0++/11/3179-3700). Quando: 6ª a dom., às 21h30. De16/1 a 1/3. R$ 5 a R$ 20. Veja também: As Eruditas. De Molière. Direção de José Henrique. Com Cia. Limite 151. A peça do dramaturgo francês também é um espetáculo de humor. No Sesc Santana, em São Paulo (tel. 0++/11/6971-8700). |
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ZOOLÓGICO DE VIDRO De Tennessee Williams. Direção de Ulysses Cruz. Com Cássia Kiss (foto, à esq.), Karen Coelho (foto, à dir.), Kiko Mascarenhas e Eron Cordeiro. O espetáculo: Retrata uma família americana desajustada, formada por uma mulher abandonada pelo marido, apegada a um falso passado glorioso, e seus dois filhos jovens, que também tentam fugir da dura realidade. Por que ir: Também conhecida como À Margem da Vida (título em português da adaptação cinematográfica com Katharine Hepburn), esta peça cruel e poética é um clássico do drama moderno, de um de seus maiores autores. Preste atenção: Em como a montagem, comemorativa dos 30 anos de carreira de Cássia Kiss, privilegia o trabalho do ator e enfatiza o impacto que a expectativa do sucesso a todo custo causa no ser humano. Onde: Sesc Consolação (rua Dr. Vila Nova, 245, Consolação, São Paulo, SP, tel. 0++/11/3234-3000). Quando: 6ª e sáb., às 21h; dom., às 19h. De 16/1 a 22/2. R$ 7,50 a R$ 20. Veja também: O Quarto. De Harold Pinter. Direção de Roberto Alvim. Com Juliana Galdino, Rodrigo Pavon e outros. Peça é de outro grande dramaturgo de língua inglesa. No Club Noir, em São Paulo (tel. 0++/11/3257-8129). |
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A NOITE DO BARQUEIRO Texto e direção de Samir Yazbek. Com Helio Cicero (foto). O espetáculo: Solo em que o personagem, após uma tempestade, se encontra numa ilha, à espera de o dia amanhecer para seguir viagem. Enquanto o tempo passa, ele reflete sobre a vida e questiona o sentido de sua existência. Por que ir: Por meio de uma linguagem metafórica, a peça busca refletir sobre temas como solidão, medo, morte, valendo-se da luta do barqueiro para alcançar a transcendência. Preste atenção: Em como a montagem, que celebra três décadas de trajetória profissional de Cicero, é acompanhada de uma exposição fotográfica ilustrativa dos principais trabalhos do ator. Onde: Sesc Ipiranga (rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo, SP, tel. 0++/11/3340-2000). Quando: sáb., às 20h, e dom., às 18h. De 10/1 a 15/2. De R$ 7,50 a R$ 15. Veja também: Aquela Mulher. De José Eduardo Agualusa. Direção de Antonio Fagundes. Com Marília Gabriela. Peça, que é também monólogo, tem como protagonista uma mulher que está prestes a assumir a presidência de uma nação poderosa. No Teatro Jaraguá, em São Paulo (tel. 0++/11/3255-4380). |
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ENTRE DIVAS E SENHORITAS De Priscila Nicolielo, Isis Madi e Sandra Pestana (foto). As duas últimas também atuam. Com Cia. Teatro de Senhoritas. O espetáculo: Simpáticas e solitárias, Miriam e April são ex-atrizes que passam o tempo encerradas em um apartamento. Lá, à espera da morte, encenam grandes obras, como Esperando Godot, de Samuel Beckett. Por que ir: : O espetáculo faz um recorte contemporâneo e sensível do teatro paulistano: desde a fundação do Teatro Brasileiro de Comédia, em 1948, os ideais de seus profissionais são praticamente os mesmos. Preste atenção: Em como o espetáculo relembra casos de figuras ilustres do teatro paulista da década de 1950, atrizes como Maria Della Costa, Miriam Mehler, Cleide Yáconis, Eva Wilma e Cacilda Becker. Onde: Centro Cultural São Paulo (rua Vergueiro, 1.000, Paraíso, São Paulo, SP, tel. 0++/11/3397-4002). Quando: 6ª e sáb., às 21h, e dom., às 20h. De 9/1 a 8/3. R$ 15. Veja também: Mercadorias e Futuro. Escrito e interpretado por José Paes de Lira. Lirinha, como é chamado o vocalista do grupo Cordel do Fogo Encantado, também reflete sobre arte em seu espetáculo. No Teatro Oi Futuro, no Rio de Janeiro (tel. 0++/21/3131-3060). |
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COLD MEAT PARTY (FESTA DO PRESUNTO) De Brad Fraser. Com Companhia Serial Cômicos. Com Diego Duda (foto, de óculos), Thadeu Peronne (foto), entre outros. O espetáculo: O encontro de um grupo de infância, na ocasião do funeral de um amigo em comum, entre eles um popstar gay, uma feminista e um homofóbico. Juntos, eles recordam a antiga amizade e encaram o presente incerto e caótico. Por que ir: Destaque do Fringe, do Festival de Curitiba de 2008, a peça tem diálogos cortantes e o humor corrosivo que caracterizam a obra do mesmo autor de Amor e Restos Humanos e Pobre Super-Homem. Preste atenção: Em como a peça aborda, com habilidade de envolver o espectador, temas como amor, morte, velhice e dúvidas sobre preferências sexuais. Também busca apresentar aos brasileiros a cultura canadense. Onde: Centro Cultural São Paulo (rua Vergueiro, 1.000, Paraíso, São Paulo, SP, tel. 0++/11/3397-4002). Quando: 6ª e sáb., às 21h, e dom., às 20h. De 23/1 a 8/3. R$ 15. Veja também: Navalha na Carne. De Plínio Marcos. Direção de Pedro Granato. Com Gero Camilo, Gustavo Machado e Paula Cohen. Os personagens desse clássico de Plínio Marcos também têm em comum um presente incerto e caótico. No Centro Cultural São Paulo (tel. 0++/11/3397-4002). |
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MEDIDA POR MEDIDA De William Shakespeare. Direção de Gilberto Gawronski (foto), que atua ao lado de Luiz Salém, Ricardo Blat, Rodolfo Bottino, Pedro Neschling e outros. O espetáculo: Sentindo-se culpado pela corrupção moral dos seus cidadãos, o duque de Viena passa o governo para Ângelo, que ressuscita a pena de morte por fornicação. A primeira vítima é Cláudio, irmão da virtuosa Isabel. Por que ir: Por sua poética e habilidade em retratar a alma humana, Shakespeare é um autor único. Além disso, é a primeira vez que se tem notícia de uma montagem profissional dessa peça no país. Preste atenção: Em como as quatro personagens femininas interpretadas por homens — numa referência à época de Shakespeare, quando não havia mulheres nas encenações — funcionam como elemento de comicidade. Onde: CCBB-Rio (rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro, RJ, tel. 0++/21/3808-2020). Quando: 4ª a 2ª, às 19h30. De 22/1 a 1/3. R$ 10. Veja também: Hamlet. De William Shakespeare. Direção de Aderbal Freire-Filho. Com Wagner Moura, Tonico Pereira e outros. Do mesmo autor, peça reestreia em São Paulo. No Teatro Faap, em São Paulo (tel. 0++/11/3662-7233). |
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MARIA STUART De Friedrich Schiller. Direção de Antonio Gilberto. Com Julia Lemmertz (foto, à frente), Clarice Niskier (foto, atrás), Rogério Fróes e outros. O espetáculo: A tragédia histórica sofrida pela rainha da Escócia Maria Stuart, condenada à morte após ser retida em cárcere por quase 20 anos por sua prima, a rainha da Inglaterra Elizabeth 1ª, na segunda metade do século 16. Por que ir: Para ver um texto clássico do romantismo, de fundo histórico, grande teatralidade e beleza poética, traduzido por Manuel Bandeira e interpretado por duas atrizes brasileiras talentosas. Preste atenção: Em como a encenação dialoga com a atualidade ao conceber figurinos e cenografias atemporais. Apesar de a trama ressuscitar o passado, enfoca conflitos caros a toda humanidade. Onde: CCBB Brasília (SCES, trecho 2, conjunto 22, Brasília, DF, tel. 0++/61/3310-7087). Quando: 5ª a sáb., às 20h, e dom., às 19h. De 23/1 a 15/2. R$ 15. Veja também: A Alma Boa de Setsuan. De Bertolt Brecht. Direção de Marco Antônio Braz. Com Denise Fraga, Ary França e outros. Comédia também reflete sobre questões atemporais da alma humana e traz grandes atuações. No Teatro Renaissance, em São Paulo (tel. 0++/11/3188-4147). |
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DANÇA PRECÁRIA Concepção e interpretação de Margô Assis (foto). O espetáculo: Busca investigar os aspectos humanos de um corpo por meio de uma coreografia que leva ao palco ações mecânicas, como esgarçar, comprimir, girar e levantar. Por que ir: Para ver um espetáculo despretensioso, que busca um diálogo com o espectador em uma coreografia pensada para ampliar, reinventar o corpo, assim como a percepção que cada indivíduo faz dele. Preste atenção: Na concepção da dançarina mineira Margô, que no espetáculo qualifica o corpo não como máquina, mas como um "sistema aberto de trocas, contaminações e fissuras". Onde: Sesc Avenida Paulista (av. Paulista, 119, Paraíso, São Paulo, SP, tel. 0++/11/3179-3700). Quando: Sáb. e dom., às 19h. De 17/1 a 8/2. R$ 5 a R$ 20. Veja também: Ir Aonde Ir. Criação, direção e interpretação de Dinah Perry. O espetáculo mescla linguagem teatral, dança, poesia, música e partituras corporais para tratar da atração e repulsão nas relações entre os homens. No Espaço dos Satyros Dois, em São Paulo (tel. 0++/11/3258-6345). |