Anna Carolina Mello, Gabriela Rassy, Laila Abou Mahmoud e Sheyla Miranda
"O Brasil é o país dos festivais e para BRAVO! é uma alegria e um desafio fazer a crônica dessas revoluções". Foi com essa frase, dita pelo presidente-executivo da editora Abril, Jairo Mendes Leal, que foi aberta a cerimônia do 5º prêmio BRAVO! Prime de Cultura, com o patrocínio do Bradesco Prime e apoio da CPFL Energia e da Claro. O evento aconteceu nesta segunda-feira, 26 de outubro, e foi realizado na Sala São Paulo, com a presença de grandes nomes da cultura do pais, como Chico Buarque, Selton Mello, Milton Hatoum e Danilo Santos de Miranda.
Como no ano anterior, a festa da entrega foi apresentada pelo bem-humorado ator Lázaro Ramos. As apresentações artísticas principiaram com a presença do cantor e compositor Tom Zé, que subiu ao palco com uma meia no rosto. "Eu sou Tom Zé, não é um assalto ainda", disse, arrancando risadas do público. A piada deu seqüência a uma série de divertidas apresentações, com músicas que lembravam a Era dos Festivais, tema do prêmio esse ano. O primeiro número do cantor foi uma paródia de sua própria composição, "São, São Paulo Meu Amor", vencedora da quarta edição do Festival da TV Record, em 1968. "Saí de casa a rigor na esperança de um prêmio BRAVO! e agora vem um cantor" e "antes dessa opereta, me dá logo a estatueta" foram alguns dos versos que alegraram os ansiosos concorrentes das diversas categorias do prêmio.
Chico Buarque foi o vencedor na categoria literatura e seu prêmio foi entregue pelo autor de Cinzas do Norte, Milton Hatoum, a quem abraçou fortemente antes de receber a estatueta. A cena da dupla de escritores sorridentes repetiu a dobradinha de sucesso vista na edição do Festival de Literatura de Parati (FLIP) desse ano, na qual dividiram uma concorrida mesa. O compositor, músico e também escritor dedicou o prêmio a Hatoum, seu amigo, e deixou o palco após abraçar o apresentador Lázaro Ramos, que não perdeu a oportunidadde de exclamar: "Sou seu fã, Chico!". Em homenagem ao premiado, a apresentação seguinte teve um pout-pourri dos primeiros lugares do festival de 1967, Ponteio (Edu Lobo), Roda Viva (Chico Buarque), Domingo no Parque (Gilberto Gil) e Alegria, Alegria (Caetano Veloso), interpretados pela cantora Andréia Dias, acompanhada de uma orquestra de 12 músicos e um regente.
O bom-humor e a animação marcaram toda a festa. Destaque para Jair Rodrigues que, em plena forma aos 70 anos, sambou e cantou ao lado de Lázaro Ramos "O samba da minha terra", do baiano Dorival Caymmi, e chegou a pegar Chico Buarque no colo depois da foto com todos os vencedores. Selton Mello, eleito Artista Prime do Ano pelo júri popular, depois de abraçar fortemente o irmão Danton Mello subiu ao palco e fez um divertido discurso, no qual agradeceu "a indústria farmacêutica e a psicanálise". Com uma folha de papel sacada do bolso, o ator leu citações de cada um de seus concorrentes na categoria. Arrancou aplausos da platéia ao citar Nelson Freire, Ferreira Gullar, Chico Buarque e Fernanda Montenegro, esta tendo dito que "viveu sem tempos mortos" - menção à peça de teatro que encenou esse ano, no papel da filósofa Simone de Beauvoir.
Na categoria Teatro, cujo prêmio foi entregue pelo parlapatão Hugo Possolo, o vencedor foi Roberto Alvim, pela peça "O Quarto". "É inacreditável", disse no momento da entrega. "Só a indicação já é um prêmio. São três espetáculos escolhidos numa cidade com uma forte cena teatral", afirmou. Nos agradecimentos, incluiu sua mulher, a atriz integrante do elenco Juliana Galdino.
O cinema foi bem representado por Terra Vermelha, uma produção que, embora pouco exibida nas salas nacionais, fez uma grande carreira por festivais. O produtor Fabiano Goulani e o roteirista Luiz Bolognesi receberam o troféu no lugar do diretor Marco Bechis. O filme é fruto de anos de pesquisas entre a comunidade dos índios de Dourados (MS). "Esse filme é Guarani-kaiowá e amplifica o sofrido canto desse povo", disseram. Bolognesi chegou a lembrar a cena em que cinco atores índios atravessaram o tapete vermelho do festival de cinema de Cannes. "Quatro deles estavam entrando num cinema pela primeira vez", disse o roteirista. "Chorei porque na semana seguinte eles iam pegar um caminhão e cortar cana nas fazendas de quem matou seus pais e seus irmãos", arrematou, concluindo com um convite para que o público conhecesse o filme.
Duas grandes cantoras abocanharam os prêmios de melhor CD e DVD. Balagandãs, de Ná Ozetti, é uma homenagem da cantora à intérprete Carmen Miranda. O prêmio foi entregue pelas mãos de Tom Zé com quase todos os músicos no palco. Fernanda Takai recebeu pelo DVD Luz Negra o troféu das mãos da cantora baiana Daniela Mercury. "Minha filha de seis anos sempre reclama das viagens e diz que não quer ser cantora porque tem de viajar muito. Dessa vez posso dizer que foi por um bom motivo", disse, apontando a estatueta.
Danilo Santos de Miranda, diretor do SESC São Paulo, subiu pela segunda vez ao palco do prêmio (em 2007 o SESC foi eleito a Melhor Programação Cultural) para ser eleito Personalidade Cultural do ano. O premiado reiterou seu compromisso com a cultura: "Ela é a única saída efetiva que temos para transformar nosso país num lugar melhor para todos". Ele recebeu o troféu das mãos do presidente de energia da CPFL, Augusto Rodrigues, que o anunciou como "ministro da cultura permanente do país".
Nas Artes Plásticas, o vencedor foi o artista plástico e também escritor - ele concorria também na categoria literatura com seu livro Ó - Nuno Ramos, pela instalação Mar Morto. O prêmio de música erudita ficou com Rosana Lanzelotte e Ricardo Kanji por Neukomm no Brasil. Jairo Mendes Leal voltou ao palco para agraciar o Instituto Moreira Salles como a melhor programação cultural do ano. Na categoria Dança, o prêmio foi entregue pela coreógrafa, diretora e produtora artística Dalal Achcar, fundadora da Associação de Ballet do Rio de Janeiro a Bruno Beltrão, do Grupo de Rua de Niterói, por H3.
Após a entrega do Prêmio de melhor artista Prime, Andréia Dias, Jair Rodrigues e Tom Zé voltaram ao palco para uma grande festa ao som de A Banda, de Chico Buarque. Como dizia a letra, a marcha alegre se espalhou e o público todo cantou junto no encerramento de uma das edições mais animadas da premiação.
10/11/2009
Rose Dayanne - diz: Parabéns Selton! Merecido prêmio! Mas cmo tiete que sou, torcia demasiadamente pelo Chico... Artista desse e tantos outros anos... Parabéns aos dois... (João,minha revista ainda não chegou?)
31/10/2009
Jadir Fagundes Machado - diz: O Selton Mello é uma pérola em meio a tantos galãs vazios que se deixam levar pela impressão de que beleza egalanteio são condições únicas para se produzir o q o povo precisa.Selton é externador do soft sem fazer alardes - este prêmio fala por ele.
30/10/2009
Seu Sérgio - diz: O formato desse evento é bom para mostrar outrs caras da cultura brasileira, que tem dificuldade em transitar em veículos como a mtv e os prêmios TIM's. O grande equívoco ainda é a falta de conhecimento que os envolvidos, seja na organização, seja na votação ainda estejam muito longe do que se propõe em termos de Brasil...como diz o compositor: "falta o Brasil de Jacson do Pandeiro, falta chegar mais Gonzaga lá de Exu"...o preconceito ainda é óbvio nas escolhas...o mais justo dos prêmios foi o de Selton Melo e mais injusto foi a negativa a inovação de Caetano Veloso...por puro preconceito...
28/10/2009
mauricio da silva - diz: mauricio da silva - diz: Andréia Dias,como sempre faz,mandou bem,além de demonstrar a grande honra em estar com quem estava,soltou uma peróla muito bem humorada.é sem dúvida uma das futuras candidatas ao prêmio,merecidamente.
28/10/2009
mauricio da silva - diz: mauricio da silva - diz: Andréia Dias,como sempre faz,mandou bem,além de demonstrar a grande honra em estar com quem estava,soltou uma peróla muito bem humorada.é sem dúvida uma das futuras candidatas ao prêmio,merecidamente.
28/10/2009
mauricio da silva - diz: Andréia Dias,como sempre faz,mandou bem,além de demonstrar a grande honra em estar com quem estava,soltou uma peróla muito bem humorada.é sem dúvida uma das futuras candidatas ao prêmio,merecidamente.
28/10/2009
Vitor Stefano Quedas Monteiro - diz: Parabéns pela premiação. Estava maravilhosa e muito obrigado pela chance de estar perto de grandes nomes da nossa cultura. Nós do blog Sessões, sobre cinema, fizemos uma homenagem ao prêmio em nosso post. Vejam: http://sessoesdecinema.blogspot.com/2009/10/sessoes-no-premio-bravo-pr ime-de.html Vitor Stefano Sessões
27/10/2009
Erico Baymma - diz: Estava na hora de o ato de ganhar um prêmio ser reconhecido como acontecimento importante, mas pontual. Isto favorece a um renascer de emoções realmente vibrantes positivamente para um momento em que a indústria cultural e fonográfica estão tão fracas. Os vencedores, pelo que se vê, são os grandes responsáveis, pois são pessoas que não possuem tanto desgaste de imagem pela mídia e fazem seus trabalhos com a perfeição de seus sensos estéticos/ideológicos.