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Michel Melamed como Dom Casmurro e Maria Fernanda Cândido como Capitu. Opção “teatral” ou “operística” descascada de seu tempo para adaptar Machado de Assis.
Michel Melamed como Dom Casmurro e Maria Fernanda Cândido como Capitu. Opção “teatral” ou “operística” descascada de seu tempo para adaptar Machado de Assis.

 

Dezembro/2008 | Assunto do dia

Capitu é inovação ou clichê?

A minissérie de Luiz Fernando Carvalho é inovadora de fato ou apenas revive o chavão do ecletismo que quer ser moderníssimo?

Paulo Roberto Pires

• Conheça o blog do jornalista e escritor Paulo Roberto Pires

Precedido por uma blitz de críticas favoráveis e textos elogiosos, estreou ontem Capitu, a versão para Dom Casmurro do "núcleo inteligente" da TV Globo  - aquele no qual diretores só gostam de cinema e atores publicam manifestos contra a cultura das celebridades da qual tiram parte substancial de seu sustento. Em vez dos clichês da telenovela, clichês de um cinema de vanguarda; no lugar dos clichês de figurinos de época, clichês de releituras de figurinos de época;  no lugar dos clichês de música de época, clichês de um ecletismo que ser que moderníssimo, ao sobrepor o texto machadiano e música pop como num comercial de TV.

Capitu nasceu, conceitualmente, para ser "melhor" do que, por exemplo, A Favorita.  Recusa o realismo, recusa as histórias mirabolantes, recusa as estrelas, recusa a trama pura e simples, recusa muita coisa para ser uma TV que, nem tão disfarçadamente assim, detesta a TV.  Luiz Fernando Carvalho, seu diretor, é, aparentemente, um Narciso às avessas, que tem horror da própria imagem. Mas não a recusa por humildade, ao contrário: para ele o problema está é no espelho, que não parece digno de seu reflexo.

Quando encarou Lavoura Arcaica no cinema, o anti-Narciso brilhou, talvez porque não estivesse na TV, ainda que soltando uma pombinha branca no meio da densidade da história de Raduan Nassar - que resiste a tudo. No seu meio de origem, costuma fazer de "cinematográfico" um adjetivo e uma distinção: iluminação, cenários, figurino e atuações deliberadamente over e anti-realista são milimetricamente pensados. Resultado: elogios unânimes ao "clima onírico" e à "pesquisa de linguagem".

Ao contrário do que aconteceu em Hoje é dia de Maria e A Pedra do Reino, em Capitu pelo menos entende-se o texto. Tudo se passa num grande salão, com as previsibilidades desta opção "teatral" - ou "operística": cavalo de pau no lugar de cavalo, portais no lugar de portas, paisagens traçadas a giz, projeções em paredes descascadas. Aliás, tudo é descascado, como se tirado de outro tempo ou, na abertura, clipada como na MTV, uma superposição de cartazes num muro. Tensão entre os dois tempos, sacaram? Infidelidade para melhor ser fiel ao autor, entenderam? Não? Dêem uma lida na longa bula  em que a produção "explica" cada uma de suas opções. Nada ali é gratuito, nada está fora do controle.

Como cinema, eu já vi este filme. No recente Ronda da Noite, de Peter Greenaway, em que, para ser fiel a Rembrandt , o diretor inglês faz tudo se passar numa luz reembrandtiana, num palco em que se conta o making of de sua tela mais famosa. Já vi parecido em Hitler, um filme da Alemanha, uma epopéia de sete horas e meia na qual  Hans-Jürgen Syberberg conta sua versão de Hitler num único ambiente, cheio de bonecos e transformados pela luz, para ser mais fiel, indiretamente, ao espírito do fascismo e seu horror. Também há muito disso no Parsifal,  de novo de Syberberg, que faz a ópera acontecer numa gigantesca reprodução da máscara mortuária do compositor, ou seja, "dentro da cabeça" de Wagner.

Como televisão, este filme peca pelo histrionismo excessivo, pela poluição de sentidos na sucessão de tableaux que lembram muito estas montagens modernas de ópera que os alemães adoram: tudo muito contraluz, muito expressionista, muito bonito - e muito vazio.  Cada capítulo do livro, anunciado por um cartazete e uma leitura impostada - vem acompanhado de um efeito visual específico e, ao fim do terceiro entretítulo seguido, resplandece o esteticismo de pouca conseqüência desta "TV de qualidade". 

Perdoem a vulgaridade desta alma que vos digita, mas diante deste Dogville do Projac, eu prefiro Flora & Donatela. É só televisão, desculpem, mas eu gosto.

 

23/10/2009

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27/05/2009

Joicy Sallen - diz: Pra mim, um bando de frustrados que certamente nao teriam capacidade para realizar nem 2% do trabalho espetacular feito na microsserie Capitu. Calem a boca bando de frustados sempre dispostos a apedrejar o que a inveja não os permite apreciar.

26/04/2009

fernanda °°° - diz: a minissérie inteira foi perfeita ,linda de mais os atores,o figurino..tudo...tudo foi lindooo AMEII:)

20/02/2009

Caco Garcia - diz:
acho que capitu peca em querer ser diferente, quando na verdade tudo o que era preciso era ter alma. acho q a tv peca por esse motivo, por não ter alma. pelas tramas serem tão vazias e tão sem criatividade. a tv e o cinema em si funcionam bem qdo somos transportados à fantasia, ao incrível e o maravilhoso. e isso não precisava ser tão complicado. capitu quer ser o mais incomum o possível. é uma obra artistica feita para artistas e não pro grande público. tudo o q a tv precisa é d artistas q saibam escrever para si mesmos se colocando no meio da pláteia e não atrás da cochia. se um dia isso acontecer, teremos boas adaptações, boas novelas, e a tv brasileira tomará um bom rumo.

30/12/2008

Ana - diz:
Adoro Machado, e adorei o que vi por Luiz Fernando de Carvalho. Imcomparável às novelas, claro, é uma outra proposta. Obrigada.

28/12/2008

Sérgio Trindade - diz:
Acho que o maior problema de Capitu e outras minisséries do Carvalho é que ajudam a ratificar um velho preconceito, de que "brasileiro não gosta de assistir coisas boas porque diferentes". Ora, Auto da Compadecida, de Guel Arraes, forneceu um caminho possível para boas obras com sucesso de público e crítica... O Auto não era tão barroco como as peças do Fernando Carvalho, mas tinha algo a dizer, e dizia. E tornou as personagens, antes relativamente desconhecidas dos brasileiros, que nem sempre podem ir ao teatro ou ler o livro, reconhecíveis, hoje, até por crianças. Lembremo-nos dos nomes de Chicó e João Grilo. Então, quando Capitu fracassa, fica sempre a idéia de que não deu certo porque era jogar pérolas aos porcos. E quem gosta acaba por dizer: "Viu, não gostou porque não entende, não gosta de boa arte, não gosta de Literatura..." Imagino o que Machado, que foi o escritor que mais vendeu livros no seu tempo (mais mesmo que Alencar) pensaria disso. E quanto ao Suassuna... Ele também adorou o Auto adaptado pra tevê. E muito da fama dele, entre um público mais vasto dos nossos dias, se deve ao sucesso daquela adaptação.

18/12/2008

Antonio de Paula - diz:
São linguagens totalmente diferentes... não dá pra folhear como um livro a tela duma TV.

18/12/2008

sérgio - diz:
depois reclamam da má qualidade da tv aberta no brasil. quando uma proposta é produzida e exibida, longe de uma crítica mais profunda com relação à linguagem (uma vez que foi feita para tv aberta), alguns aparecem construindo críticas que mostram nada mais que sua própria bagagem intelectual. acho propostas como Capitu válidas por sair do comum. e onde não se encontram clichês hoje em dia? um abraço

18/12/2008

Antonio de Paula - diz:
São linguagens totalmente diferentes... não dá pra folhear como um livro a tela duma TV.

17/12/2008

sergio - diz:
concordo com quase tudo o que está dito no artigo, menos a respeito do filme Lavoura Arcaica, chatíssimo, de uma pretensão sem fim. Esse diretor - aliás - não passa de um pretensioso.

17/12/2008

chico. - diz:
Rodrigo Briza já disse o que eu queria dizer.

17/12/2008

Washington Costa - diz:
Creio a mínima tentativa de jogar luz sobre as trevas obtusas que pairam sobre a T.V aberta brasileira, é louvável... Capitu é uma releitura da obra machadiana Dom Casmurro, é machado visto por outros prismas, e não vejo mau em se utilizar referencias estilisticas no que tange ao visual...

17/12/2008

renato - diz:
não é possível que não se possa, em cinco noitezinhas por ano, fazer diferente. eu gostei, alguém não gostou, e isso não tem a menor importância. o importante é emperrar a mesmice. por mim, capitu deveria ser ainda mais hermética. ou chata, como queiram.

17/12/2008

Adriana - diz:
Olha, lendo todos esses comentários, eu fico tão triste, porque nunca se tem nada novo na TV aberta e quando temos, e quando uma vez no ano se faz algo baseado na literatura brasileria, vira esta confusão.Acho que é bem isso, qualquer lixo americano, brasileiro aplaude e acha o máximo... Realmente o Brasil tem que acordar

17/12/2008

Antonio de Paula - diz:
Moderníssimo ou Pós-moderno mesmo? penso que o que se acostumou a chamar de pós-moderno (ou moderníssimo), cumpre a tarefa de encantar e não de incomodar. Aliás, o que é mais difícil atualmente é uma arte que incomode. Longe do incômodo pastiche que figure num "descompromisso" criativo, num usar qualquer coisa de qualquer jeito e a isso batizar de arte, artifício (se assim quiser), coloco aqui em questão o incômodo que não se diz, nem se prediz. A instigação espontânea oriunda de uma tela, de uma peça, de um livro e que, por uma cruel inocência, abre um buraco em nossa percepção, revira em avessos nossas ociosas e automáticas percepções estéticas que se satisfazem em criticar um já visto. Criticar reminiscências estéticas utilizadas em uma mini-série nada tem de novo ou espetacular. A bem da verdade, alcança um mesmo nível superficial e mercadológico de tal que, igualmente, encanta, mas não propõe contemplar o que existe no precipício possível que desperta abaixo de seus pés. E nisso, a mini-série ainda têm o respaldo de ter sido criada no berço de um veículo que não se afirma conceitual, "inteligente" demais; que toda via é um veículo comercial, e o que nela é veiculada têm este signo incrustrado na testa. Que a mini-série "Capitú" traz elementos compositivos que nada têm de novo é uma verdade primeira e lógica que não vale aqui desenvolver uma linha a mais de um texto que se pretenda crítico. Isso seria um disperdício posto que tal releitura já acabou, passou. No entanto, fica-se a pergunta a cerca do que é dito pela crítica, pelos críticos. Estarão eles contentes mantendo-se no mesmo patamar de seus alvos? Não seria válido nesse momento olharmos para o grande buraco possível que, aí sim, poderia de fato responder algo novo e criativamente incômodo para além do encantamento? Quiçá... Ah, e pra finalizar, bom seria se mini-séries de igual nível da que foi exibida e discutida até aqui ganhassem o âmbito de uma novela. A Disney popularizou a música clássica... mas isso é já outra questão.

17/12/2008

Silmara Alencastro - diz:
Eu gostei mas acho que a obra é muito mais e o enredo não ficou claro para os que não leram a obra como a maioria dos que assistem somente a TV aberta. Acho que isso seria o mais importante, ressaltar a literatura brasileira, e não confundi-la.

17/12/2008

Bárbara - diz:
Me decepciono com essa parte da TV, que contesta o realismo das novelas. É justamente por ser essa uma boa proposta que a execução me decepciona. Acho que o cinema e a televisao brasileiros carecem do fantástico, do estranho, do insólito, do maravilhoso, de imaginação, por fim! E me encantei com Hoje é dia de Maria. No entanto, achei fora de propósito adaptar Machado, um escritor REALISTA, dessa forma. Se é pra fugir do padrão realista e adaptar literatura, que se use a literatura que assim o permite. Como Macunaíma permitiu. O que não poderiam ser pequenas adaptações de Murilo Rubião, por exemplo? Melhor ainda seria criar roteiros originais nesse sentido, pra adicionar experimentação e fantasia na arte brasileira.

16/12/2008

Jeferson Freitas - diz:
Minissérie chatíssima, como tudo na televisão aberta. Como formar leitores e telespectadores com uma obra tão medonha de ruim, com atores canastrões e diálogos que beiram o ridículo. Pedra do Reino era insuportável, mas essa Capitu é ridícula.

16/12/2008

joêzer - diz:
a capitu de lfcarvalho é a antítese do casmurro de machado. é muita modernice. machado era seco e direto. lfcarvalho é... é isso que se viu em capitu. imagine esse cara adaptando vidas secas do graciliano! não, não imagine!

16/12/2008

Rodrigo Briza - diz:
ehehehehe....ae bonitão, isso tudo é dor de cotovelo, inveja, ou...?ou sua função aqui é chamar a atenção oferecendo essa leitura deficiente, repleta de palavras bonitas e complicadas. Isso me lembrou uma frase do Millor..."pelo jeito, você quer ser diferente igual a todos diferentes existentes por ai"....morÔ?ehehheheheeheh Paz!

16/12/2008

Saulo - diz:
Depois de ler tudo qual se encontra acima, acredito que a série tenha uma boa cenografia, figurino e a luz que de forma excêntrica inebria tudo, vejo que por ter sido feita uma adaptação ficou excelente. Não chega aos pés da "obra original" mas expressa-lhe parte de um sentimento ambíguo que se estende de sereno e perpetuo a forte e sedutor.

16/12/2008

Victor - diz:
Caríssimo Paulo Roberto Pires, belo texto, embora discorde opostamente. Uma questão, porém, me deixou encucado: sua postura, seu escrever e, principalmente, sua conclusão… não são todos também verdadeiros clichês?

16/12/2008

Gustavo - diz:
Com relação "A pedra do reino", que sofreu as mesmas críticas (pré-fabricadas), o Ariano disse que adorou !! Tenho certeza que se o diretor tivesse oportunidade de conversar com o Machado, ele também aprovaria !!!

16/12/2008

Gustavo - diz:
Com relação "A pedra do reino", que sofreu as mesmas críticas (pré-fabricadas), o Ariano disse que adorou !! Tenho certeza que se o diretor tivesse oportunidade de conversar com o Machado, ele também aprovaria !!!

16/12/2008

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15/12/2008

Jair Santana - diz:
Super elogiado, surper caro ( um milhão por capitulo), seper estimado, "Capitu" nasceu para ser o sucesso intectual na programação da Globo. Enquanto muitos falam de algo "novo", vejo nas obras televisivas de Luis Fernando Carvalho, pura presunção e formalismo vazio. Não há conversa com o público, somente narcisismo. "Capitu" de Machado é uma bela obra. "Capitu" de L.F.C. é um belo examplo de uma pesada campanha marketing.

15/12/2008

Rhômulo Menezes - diz:
Concordo que a priori a serie começou de maneira monotona e cansantiva,mas com o decorrer dos capitulos acabou revertendo esse estado,com a trilha sonora encantadora,com a perfeiçao do cenario e dos figurinos e claro a atuaçao dos atores,ou seja, o que quero dizer é que a grande massa pode ter achado chato porque é uma novidade e tambem por estarem acostumados a mediocridade das novelas como "A FAVORITA",pois quem leu o livro deve ter reconhecido as caracteristicas de Machado,sendo descritas apenas de uma maneira mas atual.

15/12/2008

gleyce - diz:
Ache capitu uma obra brilhantemente adaptada para televisão,uma obra ao nivel do machado,a trilha sono de um otimo bom gosto,e isso que a televisão brasileira precisa se inovações e um pouco mas de cultura!

15/12/2008

Eloah Pimenta - diz:
Até agora os que argumentaram de forma inteligente e mostraram que entende do assunto foram os que apreciaram o trabalho. Acho que dizer somente "uma porcaria" realmente, é um resumo de nada, mostra que não tem embasamento algum para apiniar sobre assunto. Amigos e Companheiros da Arte, vamos estudar mais um pouco e parar de fingir que são entendidos no assunto, só porque tem 10, 20 ou mais anos na área, se acham que são auto-suficientes. Vamos realmente fazer da arte uma arte inteligente e que seja realmente transformadora e que sirva para o crescimento social, intelectual da nossa gente.

15/12/2008

Janne - diz:
Concordo com ambas as partes desta calorosa discussão "intelectual".E, não dúvido que, por isso, me tratem como uma pessoa sem opinião própria. O enredo da microssérie, a cenografia, a atuação dos atores, a teatralização da narrativa, diria, é encantadora. Os personagens foram destacados por suas características de maneira a reforçar a opinião de especialistas que quase por unanimidade concordam que Bentinho (Dom Casmurro) sofria de um ciúme doentio e que Capitu era uma mulher de carater forte e sedutora. Porém, não se pode negar que não está à altura da narrativa de Machado. A emoção da leitura do livro é unica. O autor fala com o leitor como quem conta suas confidências por carta à um amigo. A emoção da leitura é mesmo diferente diferente da emoção de assistir uma adaptação de uma obra escrita à linguagem televisiva. Considero "Capitu" uma boa adaptação para a linguagem televisiva levando em conta a necessidade de promoção da Globo num momento em que vive uma crise de audiência. No entanto, é visivel e, creio que os que tiveram a oportunidade de ler a obra machadiana concordarão comigo, que "Capitu" não está à altura da narrativa "Dom Casmurro" de Machado de Assis.

15/12/2008

Eloah Pimenta - diz:
Até agora os que argumentaram de forma inteligente e mostraram que entende do assunto foram os que apreciaram o trabalho. Acho que dizer somente "uma porcaria" realmente, é um resumo de nada, mostra que não tem embasamento algum para apiniar sobre assunto. Amigos e Companheiros da Arte, vamos estudar mais um pouco e parar de fingir que são entendidos no assunto, só porque tem 10, 20 ou mais anos na área, se acham que são auto-suficientes. Vamos realmente fazer da arte uma arte inteligente e que seja realmente transformadora e que sirva para o crescimento social, intelectual da nossa gente.

15/12/2008

Vera - diz:
O estilo deu certo em "Hoje é dia de Maria" e em "A pedra do reino", porque os temas permitem uma certa alegoria; mas em "Capitu" foi um fracasso! Deu muito sono...

15/12/2008

Vinicius Madeira - diz:
Discordo do ponto de vista do autor da crítica. Por muitas vezes, o excesso de cores e a constante tentativa de soar "diferente da televisão convencional" pode até cansar e nos fazer perder em pensamentos por uns segundos, mas só por estes segundos. Pois de forma geral, Capitu encanta e a trilha sonora diverte. Pode ser que se fosse filmada de uma forma "clássica" atrairia mais audiência, mas eu adimiro esta abertura à inovação que a Globo faz. Eu achei as atuações magníficas, a trilha deliciosa, o figurino e a cenografia impecáveis, e realmente espero que continuem fazendo produções do tipo. Lamentável apenas que Roberto Pires prefira A Favorita, uma novela chata, lenta, com personagens clichês e com um final já previsível,como todas as outras novelas. E sim, na minha opinião, a série é inovadora, pelo menos na televisão brasileira, isso não há como negar.

15/12/2008

Adriana - diz:
A maioria dos críticos: um bando de babacas, metidos a intelectuais. Pra um cara que diz preferir A FAVORITA, falar mais o quê?

14/12/2008

Allis Bezerra - diz:
No Brasil é assim, basta alguém fazer algo bem feito, com dignidade e criatividade, com respeito e carinho que logo a 'critica' tem defeitos para apontar. A 'critica' no Brail sofre de um mal muito sério: Inveja! Diante de de tanta bobagem claro que CAPITU é uma perola.

14/12/2008

Marcia - diz:
Se Luiz Fernando Carvalho se inspirou em Peter Greenaway e Syberberg para fazer um programa de televisão, "Capitu" representa a vontade de inovar. A tentativa de adaptar uma linguagem do cinema e criar algo inédito na televisão brasileira. Não se trata de uma TV que, no fundo, detesta a TV. Acho que se trata do desejo de experimentar, de apresentar uma obra importante ao grande público, sem perder o tom de (bom) entretenimento. Uma obra que tenta seduzir o espectador a sua maneira: com músicas pop e edição que lembra o vídeo clip. Gostar ou não gostar é pessoal. Mas eu considero a ousadia indiscutível.

14/12/2008

Mario Antonio Maschke - diz:
Machado, assim como Shakespeare, resistirá às reduções televisivas. Mesmo aquelas que para alguns tenham brotado da soma criativa dos clichês de não mais que 10 anos do Fernando. A forma e a linguagem de Fernando queiram ou não ainda "é" nova.

14/12/2008

Luciano - diz:
Sr. Paulo Roberto Pires, parabéns pela excelente matéria. Sempre é bom ler uma crítica realmente séria e honesta. Sem medo de questionar o "núcleo de inteligência" da Globo. Este é um dos principais motivos por que admiro e leio as matérias desta revista.

14/12/2008

ROSE - diz:
Uma pena realmente... O texto de Machado de Assis merece sempre respeito. Eu, em respeito não assisti. Como foi falado, com tantos elogios antes da estréia, quem se atreve a não gostar? Eu.

13/12/2008

Carolina Oliveira - diz:
Não é possível que achem Capitu tão ruim assim...! Meu Deus!

13/12/2008

Bruno - diz:
Sublime, uma riqueza estética incrível, a presença do narrador tira o fôlego. O CONTRALUZ de Dom Casmurro nos camarotes é uma obra de arte, lembra ainda os surrealistas alemães. Murnau puro!

13/12/2008

Bruno - diz:
A perenidade de uma obra está em sua reinvenção!

13/12/2008

Geórgia Guimarães - diz:
Brilhante!!sem dúvidas! transformar uma obra-prima da literatura brasileira em auvisual, é um desafio, pois o nosso país esta restrito a apenas a certo tipo de pensamento, não querendo abrir os olhos e ver a cultura! transpor isso atravéz da Tv é o jeito mais fácil das pessoas terem contanto, mas se tratando do Brasil isso parece ser impossivel!! uma adaptação para TV, nunca vai ser a mesma coisa que a obra em si, por mais que o autor queira e tente. Por melhor que ela seja sempre irá receber críticas sejam positivas ou negativas.

13/12/2008

Ernâni Getirana - diz:
Clichê, puro clichê. Desvia os sentidos mais significativos da obra Machadiana.

13/12/2008

otávio - diz:
Engraçado como a retórica da cr´tica acima vem confirmar apenas essa aridez do cenário crítico brasileiro que resiste ao novo, ou encara essa tentativa do novo, como mero projeto estético. CAPITU NÃO é Dogville, nem Moulin Rouge, mas nas raízes do cinema espetáculo, bebe na fonte daqueles que possibilitam um novo olhar, nem que esses sejam de ressaca ou dissimulados

13/12/2008

Cesar de Alencar - diz:
Todo receio é sempre válido quando se está diante de qualquer tentativa de transpor para imagens as preciosas letras de um gênio da literatura. Mas Machado de Assis não nos legou apenas uma obra-prima, fruto profícuo de sua genialidade: ele inseriu, já a partir de 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', seu nome - e junto a ele toda a literatura brasileira - no elevado panteão das letras mais valorosas de toda história da humanidade. Talvez por esse "pequeno" motivo, o receio de acompanhar o trabalho de Luiz Fernando Carvalho tenha sido justificado; embora o resultado que se observou tenha desfeito qualquer temor mais histérico. A aposta magnífica do diretor em jovens atores; a fantástica performance de Michel Melamed, que sem dúvida apenas testificou aos nossos olhos a qualidade ímpar de sua interpretação; e a indescritível personificação daquela que é a mais impressionante personagem de nossa literatura: a jovem Letícia Persiles parece fazer brotar de seu rosto a mesma perversa e apaixonante aparência de nossa imaginada Capitu - tudo isso é de provocar a alma! Imagens, sons, vozes: difícil para o espírito manter-se quieto frente à tamanha grandeza estética. Se 'Hoje é dia de Maria' pareceu não agradar tanto pela estranheza provocada por sua arte, é impossível não sentir em 'Capitu' as próprias letras machadianas soarem como a mais genial de nossas melodias. Pura recriação da beleza!

13/12/2008

Yuri Amorim - diz:
Discordo. Não aguento mais as Donatelas e Floras - que, aliás, são o que mais se vê na televisão. Porque recusar espaço a outros tipos de linguagem? Ainda que você seja, segundo declara, experimentado nas linguagens de vanguarda (que já vê como clichê) a maioria da população criada pela cartilha das desgastadas telenovelas (são todas iguais, salvo raríssimas excessões) desconhece por completo tais linguagens. De forma que isso é sim novidade para muita gente, e só por esse motivo já é louvável que chegue aos seus lares. Infelizmente tem gente que se acostumou com o condicionamento à mediocridade que a televisão contemporânea nos vende diariamente.

13/12/2008

Célio Adriano Satler - diz:
Machado de Assis deve estar remexendo-se no túmulo

13/12/2008

Gustavo - diz:
Prefiro dormir!

13/12/2008

Everaldo Vasconcelos - diz:
A experimentação audiovisual nos níveis realizados por Luiz Fernando Carvalho é de fato estranha no contexto da TV brasileira atual, mas ainda assim necessária. Há muito o que vasculhar na nova era da TV Digital, que permitirá um padrão de interatividade muito grande.Esta minissérie aponta para estas possibilidades.

13/12/2008

Bela música do grupo Beirut. Adota-se uma estética bela, não é o livro mas sem dúvida aproxima-se daquela reflexão machadiana

12/12/2008

Renata - diz:
Não resisto ao zapping ou ao sono toda vez que Capitu começa.

12/12/2008

Vanderlei Zem - diz:
Parabéns pelo breve ensaio. Você resumiu brilhantemente a minissérie Capitu. Eu resumiria ainda mais: uma porcaria.

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