Bruno Moreschi
Quatro dias antes da abertura da primeira individual no Brasil, o artista plástico norte-americano Allan McCollum recebeu BRAVO! para uma conversa sobre seu trabalho. Na galeria Luciana Brito,
Qual é a sua intenção em produzir trabalhos com muitas peças que parecem iguais, mas, num olhar mais atento, são diferentes entre si?
Allan McCollum - Quero mostrar que tudo que nos cerca e, inclusive nós mesmos, somos diferentes. Durante anos eu usei o termo "massificação" para falar de meu trabalho. Mas um dia me dei conta que não faz sentido eu usar essa palavra, pois o que faço mostra que esse conceito não é uma verdade completa. Assim como nós, os desenhos pretos que produzo, por exemplo, possuem detalhes diferentes.
Mas se eles são diferentes, por que mostrá-los juntos? Para realçar essas diferenças?
AM - Não só por isso. Gosto de fazer trabalhos artísticos com um grande número de peças para enfrentar uma espécie de patologia que a arte produziu ao longo dos séculos. Você já reparou que, no mundo das artes, sempre existe a idéia do objeto exclusivo, a peça-fetiche que só a pessoa que possui dinheiro pode possuir? É como se as coisas mais numerosas, produzidas em série não tivessem nenhum valor - o que definitivamente não é verdade. Eu tenho sentimentos para com objetos como esse [ele amontoa com as mãos três canetas esferográficas azuis da marca mais comum] Foi dessa idéia que surgiu minha vontade de reunir meus objetos em grandes números.
E foi por isso também que você preferiu não estudar numa escola de arte ou aprender a desenhar de uma maneira mais tradicional?
Costumo acreditar naquele ditado que diz que, quando não se estuda, há poucas coisas na vida que é preciso desaprender. Por ter nascido
Em 2008, você apresentou na Bienal de São Paulo a reunião de 1800 desenhos, todos feitos usando apenas pequenas variações de duas formas, o ângulo reto e a reta. Uma versão reduzida dessa instalação está na exposição
Usei um programa de computador especialmente feito para isso. O resultado me agradou muito, pois acho que pode ser visto como metáfora do próprio corpo humano. Somos feitos de alguns genes, mas que, pelos mais diferentes ordenamentos, produzem várias características diferentes. Assim se deu com os desenhos que expus na Bienal. O espanto vinha do fato de nos depararmos com coisas muito diferentes entre si, mas originadas dos mesmos poucos elementos.