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EDIÇÃO DE Neusa Barbosa
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CORAÇÃO VAGABUNDO (Brasil, 2008). 1h. Documentário. Direção: Fernando Grostein Andrade. O que é: Documentário penetra na intimidade do cantor Caetano Veloso (foto), acompanhando-o em turnês do álbum Foreign Sound aos EUA e ao Japão, entre 2003 e 2005. São entrevistados alguns de seus amigos, como Pedro Almodóvar e David Byrne. Por que ver: Mais indicado para os fãs do cantor, o filme é uma oportunidade de acompanhar em parte seu processo de criação, além de testemunhar bastidores de alguns shows internacionais, mostrando como o artista é recebido fora do Brasil. Preste atenção: A uma sequência em que aparece Michelangelo Antonioni — que morreu em 2007 — num estúdio, ao lado de sua mulher, ouvindo uma música que Caetano Veloso lhe dedicou e leva o nome do cineasta. O que já se disse: “No documentário, Caetano é Caetano. Opina sobre tudo: religião, política, música, antropologia....” (Marco Bezzi, Jornal da Tarde). |
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13º FESTIVAL DE CINEMA JUDAICO DE SÃO PAULO De 4 a 9 de agosto, em diversas salas em São Paulo. Direção: A Hebraica. Patrocínio: Itaú/Unibanco, Rendimento, Daycoval. O que é: Principal festival de filmes judaicos do país, exibe títulos premiados em outros eventos do gênero, privilegiando a especificidade da religião e da cultura judaica, com ênfase em sua convivência com os demais povos. Por que ver: Pelo oferecimento de títulos como a produção tcheca Promessa Rompida, de Jiri Chlumsky, premiado em Los Angeles, e Shivá-Sete Dias (foto), que valeu troféus à sua diretora e atriz, Ronit Elkabetz (de Alila). Preste atenção: A três filmes que focalizam o tema-chave desta edição, a chegada à vida adulta, que entre os jovens judeus é marcada pela cerimônia do Bar-Mitzvá, aos 13 anos: Acne, Rezando com Lior e Hoje Você É uma Caneta-Tinteiro. O que já se disse: “O festival traz diversos filmes inspirados na passagem do jovem para a vida adulta segundo a tradição judaica e criou um programa específico para a data” (Arthur Rotenberg, presidente da Hebraica). |
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ALMOÇO EM AGOSTO (Pranzo di Ferragosto, Itália, 2008). 1h15. Comédia. Direção: Gianni di Gregorio. Roteiro: Gianni di Gregorio e Simone Riccardini. Elenco: Gianni di Gregorio (foto), Valeria De Franciscis, Marina Cacciotti. O que é: No maior feriado do verão, em Roma, condômino endividado aceita tomar conta de três idosas, parentes de seus vizinhos. Elas se alojam no apartamento que ele divide com a mãe e fazem de tudo para sair da rotina e viver aventuras. Por que ver: Estreante na direção aos 60 anos, Gianni di Gregorio, corroteirista de Gomorra (2008), de Matteo Garrone (aqui produtor), cria uma comédia envolvente, que venceu o prêmio Leão do Futuro, da Semana da Crítica do Festival de Veneza 2008. Preste atenção: Às quatro atrizes do elenco, senhoras idosas que nunca haviam atuado antes e exibem uma naturalidade e segurança notáveis para viver as situações em que quase enlouquecem seu guardião, querendo romper as dietas e sair para dançar. O que já se disse: “Mesmo as regras da comédia, gênero ao qual este filme sem dúvida pertence, são revistas e reinventadas” (Nina Modesta, Cinebazar.it). |
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O GUERREIRO GENGHIS KHAN (Rússia/Mongólia/Alemanha/Cazaquistão, 2007). 2h06. Épico. Direção: Sergei Bodrov. Roteiro: Sergei Bodrov e Arif Aliyev. Elenco: Tadanobu Asano (foto), Honglei Sun, Khulan Chuluun, Amadu Mamadakov. O que é: A história de Temudgin, guerreiro filho de um chefe tribal mongol que é traído. Anos depois, fortalecido por diversas lutas, irá tornar-se o líder Genghis Khan, um dos conquistadores mais poderosos da Antiguidade. Por que ver: Indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2008, trata-se de uma produção extremamente bem-cuidada, filmada em locações na China, Mongólia e Cazaquistão. A direção é do russo Sergei Bodrov (O Prisioneiro das Montanhas). Preste atenção: Às interpretações cativantes do japonês Asano, como o protagonista, do ator chinês Honglei Sun, como seu ambíguo amigo, Jamukha, e da atriz mongol Khulan Chuluun, no papel de Borte, a mulher de Temudgin. O que já se disse: “Este épico histórico mescla paisagens impressionantes, estupenda fotografia, batalhas sangrentas e tradições peculiares” (Alissa Simon, Variety.com). |
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SE NADA MAIS DER CERTO (Brasil, 2008). 2h. Drama. Direção: José Eduardo Belmonte. Elenco: Cauã Reymond, Caroline Abras, João Miguel (foto), Milhem Cortaz. O que é: Jornalista freelance vive uma série crise pessoal e financeira. Morando com Ângela, mulher perturbada e mãe de um menino, ele começa a circular numa espécie de submundo. Conhece um taxista e uma transsexual e juntos planejam dar um golpe. Por que ver: Vencedor de três troféus Redentor, no Festival do Rio 2008 — melhor filme, roteiro e atriz (Caroline Abras), o novo trabalho do paulista José Eduardo Belmonte (A Concepção) revela força dramática e amadurecimento. Preste atenção: À atriz Caroline Abras, 21 anos, que, revelada em curtas-metragens premiados, como Alguma Coisa Assim e Perto de Qualquer Lugar, tem aqui possibilidades de mostrar suas qualidades num papel de maior densidade. O que já se disse: ”Belmonte cria um painel tenso da realidade urbana metropolitana, usando uma disputa política em seus bastidores” (Rodrigo Fonseca, O Globo). |
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AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO (Portugal, 2008). 2h27. Comédia dramática. Direção: Miguel Gomes. Roteiro: Miguel Gomes, Mariana Ricardo e Telmo Churro. Elenco: Sónia Bandeira (foto), Fábio Oliveira, Manuel Soares, Joaquim Carvalho. O que é: Um diretor de cinema chega a uma pequena cidade do interior de Portugal. Filma a localidade, seus personagens malucos e faz testes de elenco. Lentamente, um enredo ficcional toma corpo e revela-se a história de um romance. Por que ver: Misturando ficção e documentário, o diretor português Miguel Gomes extrai uma surpreendente energia numa história que, com vários momentos cômicos, revela o coração de um Portugal rural, contemporâneo e musical. Preste atenção: À sequência final, em que um membro da equipe técnica discorre sobre os sons captados por seus microfones. É um dos momentos em que melhor se expressam o humor peculiar e o cruzamento de gêneros deste filme original. O que já se disse: “Extravagante e lânguido, o segundo filme de Miguel Gomes oferece um momento de felicidade, uma grande lufada de ar fresco” (Jacques Mandelbaum, Le Monde). |
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O CONTADOR DE HISTÓRIAS (Brasil, 2009). 1h50. Drama. Direção: Luiz Villaça. Roteiro: Luiz Villaça, José Roberto Torero, Maurício Arruda, Mariana Veríssimo. Elenco: Maria de Medeiros, Paulinho Mendes (foto). O que é: Caçula de uma família pobre de Belo Horizonte, que tem dez crianças, o menino Roberto Carlos Ramos é entregue a uma instituição para menores. Depois de uma longa sequência de maus-tratos e fugas, aos 13 anos ele conhece uma pedagoga francesa. Por que ver: Pela força da história, baseada na biografia de Roberto Carlos Ramos, ex-menor abandonado que se tornou um prestigiado contador de histórias, conhecido internacionalmente. É ele quem faz a narração e aparece numa cena final. Preste atenção: Aos meninos Marco Antônio Ribeiro e Paulinho Mendes, que interpretam o protagonista aos 6 e aos 13 anos, respectivamente. Sem experiência anterior, eles cativam a atenção com atuações sem afetação. O que já se disse: “É um filme carinhoso, que tem seus melhores momentos quando parte para a alegoria e o lúdico” (Heitor Augusto, Cineclick.com.br). |
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MOSCOU (Brasil, 2009). 1h18. Documentário. Direção: Eduardo Coutinho. O que é: Filmagem de uma experiência, proposta pelo cineasta ao Grupo Galpão (foto), de Belo Horizonte — ensaiar e montar em três semanas, sob direção de encenador de fora da equipe, Enrique Diaz, a peça As Três Irmãs, de Anton Tchekhov. Por que ver: Trata-se de um dos experimentos mais radicais do premiado documentarista Eduardo Coutinho, que aprofunda uma temática já visitada em Jogo de Cena, focalizando bastidores de uma montagem teatral planejada para não chegar ao palco. Preste atenção: Aos diálogos, que, ditos pelos atores em situações aparentemente fora dos ensaios, levam os espectadores a captar mais profundamente o frescor e a atualidade do texto de Tchekhov. O que já se disse: “Mais uma vez o cineasta sobe ao palco para lançar o espectador na tênue linha que separa ficção e realidade” (Edilson Saçashima, portal UOL). |
EDIÇÃO DE André Albert
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Tiago Carneiro da Cunha Trata-se de: Individual do paulistano Tiago Carneiro da Cunha com dez esculturas em faiança policromada. De 2007 para cá, esse tem sido o material predileto do artista na composição de obras de aspecto sinistro e feições bizarras. Importância: Irônica e despretensiosa, a obra de Tiago Carneiro da Cunha é repleta de personagens marginalizados e de referências ao sexo e à embriaguez. O artista tornou-se conhecido com trabalhos que satirizavam a lapidação de pedras preciosas. Preste atenção: Na recorrência da aparição de Gargântua, gigante criado pelo escritor francês François Rabelais (1484?-1553). Dessa vez, o personagem satírico associado a bebedeiras e escatologia aparece entronado, com direito a uma coroa, na escultura Gargântua Rex. Onde: Galeria Fortes Vilaça (rua Fradique Coutinho, 1.500, Pinheiros, São Paulo, tel. 0++/11/3032-7066). Quando: Até dia 29. De 3ª a 6ª, das 10h às 19h; sáb., das 10h às 17h. Grátis. Veja também: O resultado da residência de um mês do japonês Atsushi Kaga na Galeria Leme (rua Agostinho Cantu, 93, São Paulo). O trabalho inspira-se nos travestis que se prostituem nas ruas do bairro do Butantã. De 12/8 a 19/9. |
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Paris de Patrick Jouin Trata-se de: Exposição de objetos, ambientes e projetos feitos pelo designer francês Patrick Jouin desde 1998. Serão exibidas peças de cozinha e mobiliário e imagens internas de restaurantes, lojas e residências redecorados por ele. Importância: Revelado no estúdio de Philippe Starck, Jouin abriu há dez anos a própria agência. Desde então, se destacou tanto pelo arrojo no uso de formas como pela versatilidade de seu trabalho. Seus terminais de aluguel de bicicletas em Paris são bem conhecidos. Preste atenção: Nas formas etéreas dos móveis da linha Solid e das luminárias para a empresa italiana Murano Due. Além do desenho delicado, eles são fabricados com resina polimerizada transparente ou combinações de vidro e aço polido, que dão leveza aos produtos. Onde: Instituto Tomie Ohtake (rua Coropés, 88, Pinheiros, São Paulo, tel. 0++/11/2245-1900). Quando: Até 27/9. De 3ª a dom., das 11h às 20h. Grátis. Veja também: Na Galeria Luisa Strina (rua Oscar Freire, 502, São Paulo), a individual do designer egípcio Karim Rashid. Desta vez, além de objetos, serão expostos dez quadros com as séries Blob e Spiralik. De 3 a 22/8. |
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Allan McCollum: Obras 1980-2008 — Uma Seleção Trata-se de: Primeira individual do artista norte-americano Allan McCollum no Brasil. Serão expostos os sete trabalhos mais representativos dos seus últimos 30 anos de carreira, como as séries Plaster Surrogates e Drawings. Importância: Mestre na recombinação de elementos, McCollum cria obras compostas por milhares de peças similares, produzidas em larga escala, mas nunca iguais. Trabalhos dele estão no MoMA, no Metropolitan e no Whitney Museum, em Nova York. Preste atenção: Nos conceitos de identidade e individualidade presentes na obra do artista. McCollum aproveita pequenos fragmentos para compor as mais diversas combinações possíveis. É seu jeito de dizer que os homens podem se identificar uns com os outros. Onde: Galeria Luciana Brito (rua Gomes de Carvalho, 842, Vila Olímpia, São Paulo, tel. 0++/11/ 3842-0634). Quando: De 18/8 a 19/9. De 3ª a 6ª, das 10h às 19h; sáb., das 11h às 17h. Grátis. Veja também: Esculturas dos últimos dois anos feitas pelo português José Pedro Croft. O artista usa chapas de ferro pintadas. Na Galeria de Arte Marília Razuk (rua Jerônimo da Veiga, 62, São Paulo). De 11/8 a 21/9. |
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Cuide de Você Trata-se de: Exposição da artista, escritora e fotógrafa francesa Sophie Calle. São textos, vídeos e fotos de 107 mulheres famosas e anônimas, convidadas para reinterpretar uma carta que ela recebeu como rompimento de um namoro. Importância: Sophie Calle mistura arte e vida real. A estreia polêmica de Cuide de Você ocorreu na Bienal de Veneza de 2007. No mês passado, Sophie protagonizou com o autor da fatídica carta, o escritor Grégoire Bouillier, uma das mais concorridas mesas da Flip, em Paraty. Preste atenção: Na variedade de interpretações da carta. Uma headhunter a analisa como se fosse de um “candidato”. A cantora e artista experimental Laurie Anderson faz uma leitura descontruída do texto. Uma menina de 9 anos dá um depoimento bem espontâneo. Onde: Sesc Pompeia (rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo, tel. 0++/11/3871-7700). Quando: Até 7/9. De 3ª a sáb., das 10h às 21h; dom., das 10h às 20h. Grátis. Veja também: A Gosto da Fotografia, conjunto de exposições fotográficas que acontece em Salvador até 13/9. Destaque para a retrospectiva do baiano Voltaire Fraga (1912-2006). No Palacete das Artes (rua da Graça, 284). |
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Primeiros Passos — Últimas Palavras Trata-se de: Individual do artista plástico Yang Shaobin, ícone da arte contemporânea chinesa. A mostra abrange desde o período influenciado pelo realismo cínico chinês até quadros recentes, com poucas cores e cenas violentas. Importância: Ao mesmo tempo em que dialoga com conceitos e técnicas ocidentais, Shaobin trata de uma China em transição, com suas contradições e idiossincrasias. Ele é um dos pintores mais incensados de sua geração após ter participado da 48ª Bienal de Veneza, em 1999. Preste atenção: Na “série vermelha”, composta por quadros em que a cor passa a representar mais a violência e o poder do que o ideário socialista. Em telas como Who Defaced Me, a associação do vermelho lavado com sangue é inevitável. Onde: Masp (av. Paulista, 1.578, São Paulo, tel. 0++/11/3251-5644). Quando: De 13/8 a 18/10. De 3ª a dom., das 11h às 18h (5ª até 20h). R$ 15 (grátis às 3ªs). Veja também: No Masp, a mostra fotográfica Onde a Água Encontra a Terra. A coletiva reúne trabalhos dos fotógrafos brasileiros Leonardo Kossoy e Fernando Azevedo e da norte-americana Carol Armstrong. De 20/8 a 11/10. |
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Universal Pictures Trata-se de: Mostra com telas do argentino Max Gómez Canle. Pintados em óleo sobre madeira, paisagens, motivos naturais e mitológicos surgem entre recortes geométricos e volumes poligonais. Importância: Além de ser um dos pintores argentinos mais originais da atualidade, Max Gómez Canle também investe na videoarte desde o fim dos anos 90. O artista integra, ainda, a mostra Argentina Hoy, em cartaz no CCBB-SP até o dia 30. Preste atenção: Em como suas obras têm influência tanto do pintor holandês renascentista Pieter Brueghel (1525?-1569) como dos surrealistas do início do século 20. Há, ainda, referências contemporâneas. Onde: Casa Triângulo (rua Paes de Araújo, 77, São Paulo, tel. 0++/11/3167-5621). Quando: De 15/8 a 12/9. De 3ª a sáb., das 11h às 19h. Grátis. Veja também: A quinta edição da Bienal Latino-Americana de Artes Visuais VentoSul, em Curitiba, com obras de cem artistas de 29 países. As exposições e intervenções estarão espalhadas pela cidade de 8/8 a 11/10. |
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Nuvem Trata-se de: Misto de instalação e performance da artista mineira radicada no Rio de Janeiro Laura Lima. A mostra dá sequência à aproximação que Laura tem feito entre corpos humanos e espaços expositivos nos trabalhos mais recentes. Importância: No campo da performance, Laura Lima é o grande nome das artes plásticas brasileiras atuais. A investigação do corpo como parte da obra vem desde 1996. Muitas de suas criações renovam o interesse do envolvimento do público com a peça. Preste atenção: No espaço em que ficam à disposição do visitante charutos confeccionados pela artista em formatos inusitados, fumos e papéis para que se possa fazer o próprio cigarro. O salão é decorado com fotomontagens de salões art nouveau. Onde: Casa de Cultura Laura Alvim (avenida Vieira Souto, 176, Ipanema, Rio de Janeiro, tel. 0++/21/2332-2015). Quando: Até 13/9. De 3ª a dom., das 13h às 21h. Grátis. Veja também: Compradores de Mundo, nova individual do carioca Carlos Contente na A Gentil Carioca (rua Gonçalves Ledo, 17, Rio de Janeiro). Nas obras, o universo dos videogames aparece como crítica à ganância. Até dia 29. |
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Rodrigo Bivar Trata-se de: Individual com dez pinturas e três desenhos de Rodrigo Bivar. O paulista explora formas tradicionais da pintura. Por trás de personagens simples, em poses aparentemente banais, Bivar adota ângulos inusitados. Importância: Rodrigo Bivar é um dos artistas responsáveis pela revalorização da pintura na cena paulistana e aposta no figurativo. Recentemente, ele formou o Grupo 2000e8 com Ana Elisa Egreja e Rodolpho Parigi, entre outros pintores-revelação. Preste atenção: No efeito das pinceladas, que reforça o aspecto singelo e quase infantilizado dos quadros de Bivar. O fundo quase sempre neutro ou com elementos poucos chamativos faz o personagem “saltar” na tela. Onde: Galeria Millan (rua Fradique Coutinho, 1.360, Pinheiros, São Paulo, tel. 0++/11/3031-6007). Quando: De 6/8 a 2/9. De 2ª a 6ª, das 10h às 19h; sáb., das 11h às 15h. Grátis. Veja também: A retrospectiva de Leda Catunda na Estação Pinacoteca (largo General Osório, 66, Luz, São Paulo). A mostra reúne 70 trabalhos da pintora paulistana, representante da Geração 80. De 15/8 a 11/10. |
EDIÇÃO DE Irineu Franco Perpetuo E José Flávio Júnior
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Prata da Casa 10 Anos Céu, Curumin (foto), Mariana Aydar, Mombojó, A Barca, Cérebro Eletrônico e Turbo Trio estão entre as atrações do evento. Programa: Em todo o mês de agosto, artistas revelados ao longo dos dez anos de existência do projeto Prata da Casa voltam ao palco do Sesc Pompeia. Os nomes foram selecionados por críticos como Pedro Alexandre Sanches e Israel do Vale. Por que ir: A série Prata da Casa é uma das principais plataformas para o lançamento de artistas em São Paulo. Desde 1999, o Sesc Pompeia incumbe jornalistas musicais de programar shows gratuitos de novos talentos brasileiros. É chegada a hora de uma retrospectiva para ver quem vingou. Preste atenção: Com seu segundo disco prestes a ir para as lojas, Céu deve esgotar os ingressos para sua apresentação (dia 13). Um dos grandes achados de seu novo repertório é a faixa Bubuia, dividida com Anelis Assumpção e Thalma de Freitas. Onde: Sesc Pompeia (rua Clélia, 93, São Paulo, tel. 0++/11/3871-7700). Quando: Dias 6, 7, 8, 13, 14, 15, 20, 21, 22, 27, 28 e 29, às 21h; 9 e 30, às 18h. R$ 12. Ouça: Peixes Pássaros Pessoas (Universal), de Mariana Aydar; Pareço Moderno (Phonobase), de Cérebro Eletrônico; Homem-Espuma (Trama), de Mombojó; Japan Pop Show (independente), de Curumin; Cangote EP (Six Degrees — importado), de Céu. |
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Little Joy Banda formada por Rodrigo Amarante (voz e guitarra), Binki Shapiro (voz e teclados) e Fabrizio Moretti (guitarra e voz). Programa: Acompanhado por Matt Romano (bateria), Todd Dahlhoff (baixo) e Matt Borg (guitarra), o Little Joy apresenta as 11 faixas de seu álbum de estreia. A banda The Dead Trees faz o show de abertura. Por que ir: Lançado no ano passado, o álbum do Little Joy marcou o início da parceria da figura mais carismática do Los Hermanos (Amarante) com o instrumentista mais elogiado do grupo americano The Strokes. E ainda revelou a bela voz da então desconhecida Binki Shapiro. Preste atenção: Nas covers de Paul McCartney (Eat at Home), The Kinks (This Time Tomorrow) e nas canções inéditas que devem pintar nos shows. Elas já apareceram na turnê vitoriosa que o trio protagonizou no Brasil no começo do ano. Onde: Fundição Progresso (rua dos Arcos, 24, Lapa, Rio de Janeiro, tel. 0++/21/2220-5070). O grupo ainda se apresenta em São Paulo, no Via Funchal, dia 15. Quando: Dia 14, às 22h. R$ 100. Ouça: Little Joy (Slap/Som Livre), de Little Joy. |
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Bruna Caram A cantora se apresenta com Alexandre Fontanetti (guitarra), Sergio Carvalho (baixo), Anderson Toledo (teclados) e Pedro Ito (bateria). Programa: Após um disco de estreia em que mostrava ser uma intérprete diferenciada, a cantora paulista volta com Feriado Pessoal. Ela surpreende com alguns temas próprios e releituras de compositores menos votados. Por que ir: Diferentemente de muitas vozes de sua geração, Bruna não flerta com o samba e outros ritmos balançados nacionais. Sua praia é o pop universal — ela dialoga muito mais com uma Corine Bailey Rae do que com uma Elis Regina. Preste atenção: Na versão de Cuide-se Bem, destaque do pouco celebrado primeiro álbum de Guilherme Arantes. A balada é uma das muitas pérolas do compositor que mereciam nova chance, e a voz doce de Bruna se mostra perfeita para o resgate. Onde: Tom Jazz (avenida Angélica, 2.331, Higienópolis, São Paulo, tel. 0++/11/3255-0084). Quando: Dias 7 e 8, às 22h. R$ 50. Ouça: Essa Menina (Dabliú) e Feriado Pessoal (Dabliú), ambos de Bruna Caram. |
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Popload Gig 2 A segunda edição do minifestival juntará a banda inglesa Friendly Fires (foto) e os brasileiros Copacabana Club e Brollies & Apples. Programa: O Friendly Fires mostrará as canções de seu primeiro álbum e temas que estarão em seu segundo trabalho, em fase de produção. Formado por músicos gaúchos e cariocas, o Brollies & Apples fará seu primeiro show. Por que ir: Considerado um dos nomes mais promissores do momento, o Friendly Fires faz um rock dançante que já rendeu até prêmio — o troféu “banda ‘enchedora’ de pistas de 2009”, concedido pelo semanário inglês NME. Depois dos shows no país, o grupo desembarca no badalado Reading Festival. Preste atenção: No Copacabana Club. O quinteto curitibano conseguiu chamar a atenção do rapper americano Kanye West, que recomendou o clipe de Just Do It em seu blog. A desenvoltura da cantora Cacá V garante a animação nas apresentações da banda. Onde: Circo Voador (rua dos Arcos, s/no, Lapa, Rio de Janeiro, tel. 0++/21/2533-0354). O festival também ocorre em São Paulo, no Studio SP, dia 17. Quando: Dia 15, às 22h. R$ 100. Ouça: Friendly Fires (WEA — importado), de Friendly Fires; King of the Night EP (independente), de Copacabana Club. |
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CAMERATA SALZBURG O conjunto se apresenta sob direção do violinista Leonidas Kavakos. Programa: Dia 29: Haydn, Sinfonia nº 82; Mozart, Concerto para Violino nº 4 e Sinfonia nº 36, “Linz”. Dia 30: Haydn, Sinfonia nº 83; Mozart, Concerto para Violino nº 5 e Sinfonia nº 41, “Júpiter”. Por que ir: Fundada em 1952 por Bernhard Paumgartner, a Camerata Salzburg se destaca por preservar autênticas interpretações dos clássicos vienenses em suas apresentações nas maiores salas de concerto do mundo. Preste atenção: Na interpretação de Kavakos — exímio solista — do último movimento da Sinfonia nº 82, de Haydn. Ele consegue comandar com vivacidade a “dança dos ursos” e valorizar cada um dos naipes da orquestra. Onde: Sala São Paulo (pça. Júlio Prestes, s/nº, São Paulo, tel. 0++/11/3323-3966). Quando: Dias 29 e 30, às 21h. R$ 10 a R$ 150. Ouça: Mozart: Violin Concertos (Sony Classics), com os cinco concertos para violino e a Sinfonia nº 39 executada por Kavakos junto da Camerata Salzburg. |
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CRISTINA ORTIZ A pianista brasileira radicada na Inglaterra apresenta-se com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Programa: Villa-Lobos, Bachianas Brasileiras nº 3 e Choros nº 6; Bernstein, Candide: Abertura e Danças Sinfônicas de West Side Story. Por que ir: Cristina Ortiz — vencedora do concurso Van Cliburn de piano em 1969 — deve fazer uma interpretação primorosa das Bachianas Brasileiras nº 3, sob regência do maestro titular da Filarmônica de Minas, Fabio Mechetti. Preste atenção: Na forma como a espontaneidade baiana de Cristina reflete-se em grande flexibilidade rítmica para suas interpretações, que costumam evidenciar elementos da música brasileira. Onde: Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, Belo Horizonte, tel. 0++/31/3236-7400). Quando: Dia 18, às 20h30. R$ 12 a R$ 40. Ouça: Villa-Lobos: The 5 Piano Concertos (Decca — importado), álbum duplo em que Cristina toca com a Royal Philharmonic Orchestra, sob a batuta de Miguel Gómez-Martínez. |
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GABOR ÖTVÖS E ROBERTO DÍAZ O regente Gabor Ötvös (foto) e o violista Roberto Diaz são convidados da Osesp. Programa: Prokofiev, Sinfonia nº 1 em Ré Maior, “Clássica”; Bartók, Concerto para Viola, Op. Postumum; e Dvorák, Sinfonia nº 9 em Mi Menor, “Do Novo Mundo”. Prokofiev, Sinfonia nº 1 em Ré Maior, “Clássica”; Bartók, Concerto para Viola, Op. Postumum; e Dvorák, Sinfonia nº 9 em Mi Menor, “Do Novo Mundo”. Por que ir: O chileno Roberto Díaz foi a principal viola da Orquestra da Filadélfia — umas da “Big Five” americanas — entre 1996 e 2006, e o maestro húngaro Gabor Ötvös estreia, nesta temporada, como convidado à frente da Osesp. Preste atenção: Na disciplina e musicalidade de Díaz, cuja viola “canta” com suavidade e brilho, o que deve ser acentuado sob a regência de Ötvös, um especialista no repertório operístico. Onde: Sala São Paulo (pça. Júlio Prestes, s/nº, São Paulo, tel. 0++/11/3323-3966). Quando: Dias 27 e 28, às 21h; 29, às 16h30. R$ 30 a R$ 104. Ouça: William Primrose: Viola Transcriptions (Naxos — importado), com obras de Paganini, Beethoven, Villa-Lobos e outros, interpretadas por Roberto Díaz (viola) e Robert Koenig (piano). |
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ANNA VINNITSKAYA A revelação do piano russo faz concertos com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Programa: Dias 28 e 29: Ravel, Sonatine e Concerto em Sol Maior; Tchaikovsky, Concerto nº 1. Dia 31: Mendelssohn, Sinfonia nº 3 em Lá Menor; Tchaikovsky, Concerto nº 1 e Polonaise, da ópera Eugene Oneguin. Por que ir: Em sua estreia no Brasil, a jovem pianista russa pretende mostrar por que ganhou, entre outros, o Primeiro Prêmio do Concurso Internacional de Piano Rainha Elisabeth, na Bélgica, em 2007. Preste atenção: No notável vigor jazzístico que Vinnitskaya demonstra, junto à orquestra, no Concerto em Sol Maior, de Maurice Ravel, que surpreende pelo fato de a pianista não ser especialista nas obras do compositor francês. Onde: Sala Cecília Meirelles (largo da Lapa, 47, RJ, tel. 0++/21/2332-9160). Sala São Paulo (pça. Júlio Prestes, s/nº, SP, tel. 0++/11/3323-3966). Quando: Dias 28, às 20h; 29, às 16h (RJ); 31, às 21h (SP). R$ 62 a R$ 122 (RJ); R$ 90 a R$ 240 (SP). Ouça: Anna Vinnitskaya (Naive — importado), primeiro álbum da pianista, premiado com o Diapason d’Or, com obras de Rachmaninov, Gubaidulina, Medtner e Prokofiev. |
EDIÇÃO DE Helio Ponciano
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OUTRA VIDA Alfaguara Autor: Rodrigo Lacerda nasceu no Rio de Janeiro, em 1969. Ganhou em 1995 o Prêmio Jabuti por O Mistério do Leão Rampante. É também autor de O Fazedor de Velhos, Vista do Rio, Fábulas para o Século XXI e A Dinâmica das Larvas. Preste atenção: Na forma adotada para o discurso indireto livre: o narrador em terceira pessoa se apropria dos pensamentos dos personagens, expressando e julgando ininterruptamente as suas angústias. Tema: Um casal e a filha de 5 anos aguardam em uma rodoviária, pela manhãzinha, a chegada de um ônibus que os levará da cidade grande para morar no litoral. O pai desiludiu-se com a capital, e a mulher criou vínculos com o lugar. É esse desequilíbrio de intenções que predomina. Por que ler: Pelo tratamento, conciso e estilisticamente maduro, de temas caros à produção contemporânea: a estrutura e a comunicação familiar, a liberdade individual, a ética, a reputação social. Trecho: “Certas áreas de atrito não se gastam, precisam ser desarmadas em sua lógica, num estágio inicial do conflito ou antes mesmo de ele se configurar, caso contrário nenhum dos lados jamais dá sossego ao outro.” (pág. 158) |
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UBIK Aleph Autor: O americano Philip Kindred Dick (1928-1982) está entre os melhores escritores de ficção científica. Sua obra inspirou filmes como Blade Runner: O Caçador de Androides, Minority Report, O Vingador do Futuro, entre outros. Preste atenção: Na interação entre homens e máquinas, que estão em toda parte. Numa passagem, Joe Chip briga com a porta de sua residência, que não quer permitir sua entrada por ele ser devedor. Tema: Situado em 1992, o enredo trata de um tempo em que se pode viver, após a morte, uma “meia-vida”. Depois que um empresário morre em um atentado de um concorrente, seus funcionários encontram-se em perigo: eles começam a degenerar-se fisicamente. O spray ubik talvez possa salvá-los. Por que ler: Autor cuidadoso quanto à profundidade de seus romances, Philip K. Dick alcança mais uma vez o melhor da ficção científica, unindo visão futurista com reflexão sobre o homem e seus dilemas. Trecho: “Isso é mais uma coisa que um precog de Hollis saberia, deu-se conta. Posso descobrir com ele se serei promovido a diretor da firma ou não. É algo que valeria a pena saber, junto com todas as outras coisas.” (pág. 100) |
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QUEM SE LEMBRA DE DAVID FOENKINOS? Rocco Autor: O escritor, dramaturgo e roteirista de cinema francês David Foenkinos nasceu em 1974. Escreveu, entre outros, O Potencial Erótico de Minha Mulher, Em Caso de Felicidade, Nos Séparations, Célibataires, Les Coeurs Autonomes. Preste atenção: Na agilidade e no ritmo com que o narrador conduz a sua história, construída de frases curtas. E na autoimagem de um quarentão, às vezes apegado à tradição, composta por Foenkinos. Tema: A vida do próprio escritor quando chegar aos 40 anos. Ele se imagina já sem criatividade, em uma crise que se espalha pelo casamento e o cotidiano. Para fugir dos problemas, viaja a Genebra, onde tem uma ideia brilhante para um novo livro. Mas a esquece e tem de recuperá-la. Por que ler: Entre ficção e realidade, Foenkinos brinca com questões como fama e anonimato, sucesso e rejeição e expõe com ironia fina o processo de escrever e de ser bem-sucedido no mercado editorial. Trecho: “[...] eu não suportava que alguém criasse alguma coisa. Eu precisava mudar. Estava ficando igual a todos esses medíocres que não toleram o talento, pois a visão do talento os remete à própria mediocridade. Sentia vergonha.” (pág. 47) |
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OS MISTÉRIOS DA SELVA NEGRA Iluminuras Autor: O italiano Emilio Salgari (1862-1911) publicou, entre outros livros, Os Tigres de Mompracem, Sandokan Conquista um Império, A Queda de um Império, Os Piratas da Malásia, O Corsário Negro, As Maravilhas do Ano 2000. Preste atenção: Na onipresença da morte no romance. Segundo as apresentadoras desta edição, “a linguagem da morte” expressa-se tanto nas inúmeras metáforas como na ação feroz dos animais. Tema: No delta do rio Ganges, na Índia, o caçador de serpentes Tremal-Naik se apaixona pela bela jovem Ada Corishant, virgem sagrada que vive confinada pelos tugues, que querem dedicá-la à deusa da morte, Kali. Ao lado de um tigre e de um amigo, Tremal-Naiki decide salvar a sua amada. Por que ler: Um dos mais profícuos criadores das narrativas de viagens e aventuras, Salgari exercita com eficiência a sua poderosa imaginação. Os viajantes de sua época inspiraram sua escrita. Trecho: “Os faquires que haviam ficado na praça saudaram o aparecimento da encarnação de Vixnu com gritos ensurdecedores, enquanto os tocadores sopravam os seus instrumentos cada vez com mais fôlego ou batiam furiosamente nos seus tambores.” (pág. 305) |
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DICIONÁRIO AMOROSO DA LÍNGUA PORTUGUESA Casa da Palavra Autor: O jornalista carioca Marcelo Moutinho nasceu em 1972 e é autor de Memória dos Barcos, Somos Todos Iguais Nesta Noite, entre outros. O português Jorge Reis-Sá nasceu em 1977 e publicou, entre outros, Biologia do Homem e Todos os Dias. Preste atenção: Na produção portuguesa e no efeito das palavras escolhidas: árvore, bosque, verdade, poeira, rosa, sombreiro, Calicatri, viajar, violeta, insecto. E na ortografia adotada por esses autores. Tema: Conjunto de 35 contos, poemas e ensaios sobre a palavra favorita da língua portuguesa de cada um dos convidados para compor a coletânea. Autores de Portugal, Timor Leste, Moçambique, Angola e Brasil falam sobre viajar, madrugada, fogo, silêncio, saudade, entre outros vocábulos. Por que ler: Pelo exercício lírico e livre que cada um desses autores termina por elaborar. Nomes importantes, como Fabrício Carpinejar (o da palavra “casa”), alcançam belos momentos em seus textos. Trecho: “O telefone da casa é o varal. Uma casa sem rabiscos de criança na tinta nova não é uma casa. Uma casa tem que deixar os cabelos compridos, cumprir ninho crespo nas beiradas, esboço de pássaros nos tetos.” (pág. 25) |
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UM SÉCULO EM NOVA YORK Companhia das Letras Autor: O americano Marshall Berman nasceu em Nova York, em 1940. Professor de teoria política e urbanismo, é também autor de Tudo que É Sólido Desmancha no Ar, Aventuras no Marxismo, entre outros. Preste atenção: Em Broadway, Amor e Roubo, que trata da Times Square em O Cantor de Jazz (1927), filme estrelado por Al Jolson. Berman revela erudição sem perder a clareza e o didatismo. Tema: História dos cem anos da Times Square, praça que ganhou esse nome em 1904 e em que desembocam a rua 42, a Broadway e a Sétima Avenida, três dos principais endereços de Nova York. Em seis ensaios, apresenta-se uma ampla leitura de artes, pessoas, moda e consumo em Manhattan. Por que ler: O livro é um fascinante estudo de urbanismo e seus reflexos nos costumes: do surgimento dos anúncios gigantes e do sucesso da Broadway à presença das corporações nos anos 2000. Trecho: “[...] o contraste irônico entre os pontos luminosos e a vida de submundo tinha se tornado o modo típico de ver a Square. [...] é o tema central de dois grandes filmes [...], Perdidos na Noite (1969) e Taxi Driver (1976).” (pág. 97) |
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A OUTRA VIDA DE CATHERINE M. Agir Autor: A crítica de arte francesa Catherine Millet nasceu em 1948 e dirige desde 1972 a revista Art Press. É também autora de, entre outros, A Vida Sexual de Catherine M., A Arte Contemporânea, Dalí et Moi, Yves Klein. Preste atenção: Em como Catherine, em reflexões sobre seus dilemas, disserta sobre, como ela própria diz, as “vidas paralelas” que tinha fora do casamento. Há o elogio da personalidade sonhadora. Tema: Depois de A Vida Sexual de..., em que detalhava as orgias de que participou, a autora volta a tratar da vida privada: o ciúme violento que sentiu — e a surpresa dessa reação — ao descobrir as relações extraconjugais do marido, com quem havia estabelecido uma relação aberta. Por que ler: Trata-se de uma obra que não apenas chama a atenção de um grande público, mas também escancara as contradições de uma personalidade que se julgava libertária e racional. Trecho: “Orgulhosa, deixei o destino agir. Moralizadora, sempre desconfiei daqueles que conduzem a vida como se fosse um romance forjado primeiramente na cabeça deles, aqueles que gostam de ‘contar vantagens’ .” (pág. 196) |
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O SEGUNDO SEXO Nova Fronteira Autor: A francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) foi uma das principais pensadoras sobre o papel da mulher na sociedade. Entre seus livros, estão Memórias de uma Moça Bem-comportada, A Força das Coisas. Preste atenção: No segmento Justificações, que compreendem os capítulos A Narcisista, A Apaixonada e A Mística. É a exposição de três imagens que ainda refletem perfis da mulher contemporânea. Tema: Ensaio publicado em 1949 sobre a repressão feminina que a examina segundo: dados da biologia e questões da psicanálise, a história, os mitos (primeiro volume); a formação social, a condição para o casamento e o sexo, a personalidade, o caminho da independência (segundo volume). Por que ler: A obra se tornou referência para as feministas e permanece uma leitura importante: a argumentação cuidadosa e as referências bem situadas garantem sua força textual até hoje. Trecho: “A mulher está às voltas com uma realidade mágica [...]. Em vez de assumir sua existência, contempla no céu a pura Ideia de seu destino; em vez de agir, ergue sua estátua no imaginário; em vez de raciocinar, sonha.” (pág. 804) |
EDIÇÃO DE Gabriela Mellão (Teatro)
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ANTES DO CAFÉ De Eugene O’Neill. Direção de Celso Frateschi. Com Cintya Chaves, Denise Cecchi (foto), Maiwusi Tulani e Bruno Gravanic. O espetáculo: Um café da manhã de um jovem casal recém-chegado à cidade grande, no fim da década de 1920. Ela é costureira de uma fábrica, e ele, poeta desempregado. Do ato cotidiano surgem os conflitos interiores de cada um. Por que ir: A montagem desse pequeno texto do autor do clássico Longa Jornada Noite Adentro mergulha nos detalhes das relações humanas e atinge a poesia que transcende a realidade cotidiana. Preste atenção: A encenação ultrapassa as fronteiras do realismo, presente no texto original. A operária é interpretada por três atrizes simultaneamente, o que revela diferentes características da personagem. Onde: Ágora Teatro — Sala Gianni Ratto (rua Rui Barbosa, 672, Bela Vista, São Paulo, tel. 0++/11/3284-0290). Quando: 6a e sáb., às 21h, e dom., às 20h. Até 13/9. R$ 20. Veja também: Bichos do Brasil. Concepção de Beto Andreatta. Direção de Carla Candiotto. Com Cia. Pia Fraus. Montagem retrata poeticamente a fauna, sem nenhuma preocupação com o real. No Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (tel. 0++/11/3288-0136). |
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O PAPA E A BRUXA De Dario Fo. Adaptação e direção de Hugo Possolo, que atua ao lado de Carmo Murano (foto), Raul Barretto e Henrique Stroeter, entre outros. O espetáculo: Um papa que sofre de dores na coluna é curado por uma freira que, ao se revelar curandeira, é expulsa do Vaticano. Quando a dor do papa retorna, ele a procura e passa a se questionar sobre as ações da Igreja. Por que ir: Inédito no país, o texto do Nobel de Literatura de 1997 marca a maioridade dos Parlapatões e comprova a busca constante da companhia por peças reflexivas, mas de linguagem popular. Preste atenção: Em como a peça enfoca temas polêmicos para a Igreja Católica, como a liberalização das drogas, o celibato e o aborto, aliando o espírito anárquico dos Parlapatões a uma dramaturgia estruturada. Onde: Espaço Parlapatões (pça. Roosevelt, 158, São Paulo, tel. 0++/11/3258-4449). Quando: 6a, às 21h, sáb., às 19h e 22h, e dom., às 20h. De 6/8 até fim de outubro. R$ 15 e R$ 20. Veja também: De Vita Sua. De Marília Toledo. Direção Kleber Montanheiro. Com Cia. da Revista. O espetáculo retrata o fervor religioso com uma estética poderosa, capaz de recriar a atmosfera de mosteiros e requisitar os sentidos da plateia. No Miniteatro, São Paulo (tel. 0++/11/2865-5955). |
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PELICANO De August Strindberg. Direção de Denise Weiberg. Com Sheila Gonçalves, Flavio Barollo (foto), Patricia Castilho, Flavio Baiocchi e Mari Nogueira. O espetáculo: As transformações em uma família em decorrência da decadência financeira, após a morte do pai. Os conflitos de valores entre a mãe, os filhos, o genro e a governanta geram descobertas e reaproximações afetivas. Por que ir: É uma oportunidade de penetrar no universo sombrio, violento e impiedoso de Strindberg, um dos pais do teatro moderno, que expôs com crueza as relações familiares e amorosas. Preste atenção: Em como esta peça de câmara, de 1907, retrata desagregações familiares por meio de personagens bem construídos, capazes de provocar ainda nos dias de hoje. Onde: Teatro Sérgio Cardoso — Sala Paschoal Carlos Magno (rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, São Paulo, tel. 0++/11/3288-0136). Quando: 4a e 5a , às 21h. De 12/8 a 24/9. R$ 20. Veja também: Retratos Falantes 1 e 2. De Alain Bennet. Direção de Eduardo Tolentino. Com Grupo Tapa. Os dois espetáculos, compostos por quatro monólogos, também revelam com grande sensibilidade a solidão de quatro pessoas comuns. No Sesc Santo André, em São Paulo (tel. 0++/11/469-1200). |
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VELEIDADES TROPICAES De Pedro Pires e Zernesto Pessoa. Com Fernanda Rapisarda, Livia Guerra, Fernanda Haucke (foto), entre outros da Cia. do Feijão. O espetáculo: Apresenta a representação fragmentada e não cronológica de episódios relacionados às origens e aos vícios da política. Cenas ácidas e trágicas sucedem-se num ambiente inspirado em Brasília. Por que ir: Para ver uma colagem satírica de episódios relacionados ao comportamento de políticos do país. O nono trabalho desse importante grupo paulista é resultado de uma pesquisa sobre identidade e utopia. Preste atenção: O espetáculo apresenta releituras de textos sobre poder de autores como Guimarães Rosa, Olavo Bilac e Machado de Assis; além de referências contemporâneas sobre corrupção e movimento sindical. Onde: Companhia do Feijão (rua Dr. Teodoro Baima, 68, República, São Paulo, tel. 0++/11/3259-9086). Quando: 6a e sáb., às 21h, e dom., às 20h. Até 18/10. 6a, grátis; sáb. e dom., R$ 20. Veja também: A Aurora da Minha Vida. De Naum Alves de Souza. Direção Bárbara Bruno. Com Rubens Caribé, Paula Arruda e outros. Este clássico também reflete sobre política, ao apresentar o sistema escolar dos anos 70 como modelo repressor. No Sesc Santana, em São Paulo (tel. 0++/11/6971-8700). |
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INVEJA DOS ANJOS Dramaturgia de Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes, que dirige. Com Thales Coutinho e Verônica Rocha (foto), entre outros. Realização Armazém Cia. de Teatro. O espetáculo: As situações-limite de membros de duas famílias e de um casal, numa pequena cidade do interior. Cada qual atravessa uma crise precipitada por mortes ou nascimentos, reais ou simbólicos, vivem alegrias, tristezas e contradições. Por que ir: Após as recentes montagens de Bertolt Brecht e Nelson Rodrigues, a Cia. Armazém retoma o caminho da dramaturgia própria nesta peça premiada pelo Shell de 2008, nas categorias melhor autor e melhor atriz. Preste atenção: Em como o cenário, uma reprodução de uma estrada de ferro que corta a boca de cena de ponta a ponta, simboliza os deslocamentos dos personagens que vivem altos e baixos existenciais. Onde: Sesc Consolação (rua Dr. Vila Nova, 245, Consolação, São Paulo, tel. 0++/11/3234-3000). Quando: 6ª e sáb., às 21h, e dom., às 19h. De 7/8 a 30/8. De R$ 5 a R$ 20. Veja também: As Traças da Paixão. De Alcides Nogueira. Direção de Marco Antônio Braz. Com Lucélia Santos e Maurício Machado. A peça sobre desencontros afetivos também apresenta altos e baixos existenciais. No Teatro Augusta, em São Paulo (tel. 0++/11/3151-4141). |
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A HISTÓRIA DE MUITOS AMORES OU PORTOBELLO CIRCO De Domingos Oliveira. Direção de Ednaldo Freire. Com Luciana Viacava, Edgar Campos (foto), entre outros. O espetáculo: Conta a história de uma jovem que, ao ser contratada em um circo decadente, desperta uma disputa entre os artistas pelo seu amor. Inicia-se um jogo conduzido por sentimentos desmedidos e comportamentos patéticos. Por que ir: O espetáculo é uma realização da Fraternal Companhia de Arte e Malas Artes, um dos mais importantes núcleos de pesquisa da arte clownesca. Preste atenção: Em como a encenação se utiliza de recursos da cultura erudita e popular. Trabalha com referências da commedia dell’arte, do folclore, da arte circense, do teatro de revista e do cinema mudo. Onde: Teatro do Sesi São Paulo (av. Paulista, 1.313, Cerqueira César, São Paulo, tel. 0++/11/3284-9787). Quando: De 5a a sáb., às 20h, e dom., às 19h. De 13/8 a 29/11. 5a e 6a, entrada franca. Sáb. e dom., R$ 10. Veja também: O Funâmbulo, o Equilibrista. De Jean Genet. Direção de Joaquim Goulart. Com João Paulo Lorenzon. Este monólogo inédito no país também retrata a imagem do artista, através da imagem do equilibrista, que aposta sua vida pela arte. No Sesc Av. Paulista, em São Paulo (tel. 0++/11/3179-3700). |
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VOCÊ Dramaturgia de Ana Cristina Colla e Tadashi Endo, que dirige. Com Ana Cristina Colla (foto). O espetáculo: Uma mulher mergulhada em suas memórias mapeia o caminho percorrido em sua trajetória de vida como meio de libertação. Enquanto remexe em seu baú, o tempo passa e a percepção se alarga. Por que ir: Para ver um espetáculo que, criado por uma atriz do Grupo Lume e dirigido por um dos principais nomes desse gênero de dança da atualidade, o japonês Tadashi Endo, aprofunda os princípios do butoh. Preste atenção: O espetáculo se propõe a misturar conceitos do butoh, que interiorizam o olhar e carregam o silêncio de imagens e sentido, com técnicas da mímesis corpórea, que visa ao encontro com o outro. Onde: Teatro Crisantempo (rua Fidalga, 521, Vila Madalena, São Paulo, tel. 0++/11/3819-2287). Quando: 5ª a sáb., às 20h30, e dom., às 19h. De 20/8 a 11/10. R$ 30. Veja também: Plataforma Estado da Dança, uma mostra de artistas de dança contemplados pelo Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado de SP. Uma oportunidade de ver as novas criações de dança contemporânea da capital. No Teatro de Dança, em São Paulo (tel. 0++/11/2189-2557). |
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FESTIVAL CENA CONTEMPORÂNEA DE BRASÍLIA Curadoria de Guilherme Reis. Na foto, cena do espetáculo The Hobo Grunt Cycle. O espetáculo: Trata-se do principal festival internacional de teatro do eixo Centro-Oeste, que, em sua 10ª edição, prestigia a França e apresenta 23 espetáculos de tea—tro e dança — oito internacionais, nove nacionais e seis locais. Por que ir: O evento exibe espetáculos que refletem a diversidade de formas e estilos do teatro contemporâneo, alguns deles inéditos no país. Neste ano, ganha uma extensão paulista, no CCBB de São Paulo. Preste atenção: No espetáculo norte-americano The Hobo Grunt Cycle, um trabalho poético que, misturando bonecos atores e máscaras, investiga as consequências da guerra para o homem. Onde: Em diversos teatros de Brasília e no CCBB de São Paulo. Quando: De 27/8 a 20/9, em dias e horários variados. Mais informações no site http://www.cenacontemporanea.com.br. Veja também: A programação musical do Cena Contemporânea, que apresenta shows ao ar livre, como do acordeonista Richard Galliano, um dos mais celebrados jazzistas da França, de Lokua Kanza, um dos maiores nomes da música africana, e de Angelique Kidjo, nome consagrado do pop. |
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